Viseu acolhe estreia de novo espetáculo de Patrícia Portela

O Teatro Viriato, em Viseu, acolhe na quinta-feira a estreia da nova peça de Patrícia Portela, "Por Amor", um espetáculo que propõe uma reflexão franca sobre o amor, guiada por uma Helena de Tróia "muito quotidiana".

O novo espetáculo de Patrícia Portela, que conta com a "cumplicidade e cocriação de Leonor Barata", propõe uma "reflexão franca, vulnerável e muito atual" sobre o amor, "para gregos e troianos, para crianças e adultos", em que mais do que certezas lançam-se dúvidas, contou à agência Lusa a dramaturga e escritora.

A peça vem na sequência de uma série de espetáculos criados para crianças, sendo que a escolha do tema nasce de conversas e observações da dramaturga, que constata que, nas escolas, o amor "é muito tratado como uma doença" ou falado em torno da explicação científica do que é uma relação sexual e de quais as funções dos órgãos reprodutores.

"O resto à volta é nebuloso", notou, considerando que o amor é um tema que se evita "para públicos mais jovens", apesar da sua pertinência.

No palco, Patrícia Portela e Leonor Barata vão falar sobre o que acham que é o amor, ao mesmo tempo que vão questionar o público sobre os seus conceitos em torno deste tema.

"Vivemos numa sociedade, numa época, em que precisamos de refletir sobre estas coisas, sobre estes sentimentos e estas sensações que não são quantificáveis ou facilmente analisáveis, que não dão prémios, nem empregos, mas que dão uma felicidade que mais nada nos pode dar. Estamos a perder a capacidade de dar prioridade a isso", frisou Patrícia Portela.

O espetáculo, que convoca autores como Ovídeo, Adília Lopes ou Shakespeare, não fala apenas do amor entre um homem e uma mulher ou entre duas mulheres, mas sobre o sentimento em si e sobre todas as formas e feitios que este pode ganhar, seja o amor paternal, fraternal, entre amigos, ou entre pessoas "que se amam e não o dizem".

Ou seja, sobre sentimentos que não têm necessariamente de ter "contratos ou anéis" e que vai para lá "das verdades fáceis ou superficiais sobre o amor", explanou Patrícia Portela.

"Fala sobre o que fazemos por amor ou o que não fazemos por amor. É uma reflexão cheia de dúvidas", feita no presente, onde se fala das redes virtuais, do amor à distância, do amor a partir de cartas ou do amor a partir de livros.

Segundo a dramaturga, é também abordada a tendência de uma sociedade cada vez mais formatada "para ser eficiente" e que leva as pessoas a querer "tornar o amor eficiente", quando o amor "está ligado à entropia, ao desperdício de tempo e de energia".

Nesta peça, Helena de Tróia é a personagem principal, abordando-se os sentimentos desta personagem da mitologia grega, que normalmente é tratada como "uma boneca de porcelana que é levada de barco, entre Tróia e Esparta".

Em "Por Amor", aparece uma "Helena muito quotidiana, muito pouco mítica, com fragilidades e indecisões", sublinhou.

Ao longo do espetáculo, há também dois vídeos que são dois quadros, de Tintoretto e de Frida Kahlo, que se vão movendo e fundindo, numa peça que convoca todos os séculos.

"O amor vai-se transformando em vários quadros da nossa vida. Pode ser melhor, pode ser pior e os quadros marcam esse tempo", aclarou Patrícia Portela.

A peça "Por Amor" estreia-se na quinta-feira, às 21:30, sendo novamente apresentada no Teatro Viriato na sexta-feira, às 15:00.

Posteriormente, a peça será apresentada no Rivoli, no Porto, a 10 de fevereiro, pelas 16:00.

Para além de Patrícia Portela e Leonor Barata, o espetáculo conta com a participação de Sónia Baptista e Thiago Arrais.

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