Versão moderna de velas pode ser caminho para reduzir emissões poluentes de navios

Uma versão moderna de vela, mais parecida com uma chaminé giratória, é uma solução estudada por algumas companhias de navegação para tornar menos poluente um setor que emite quase mil milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.

Tal como a aviação, o transporte marítimo não está coberto pelos compromissos do Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa porque não se consegue determinar a responsabilidade de cada país nas emissões daí resultantes.

As emissões do setor da navegação, que move constantemente cerca de 50 mil navios, deverão aumentar entre 50 e 250 por cento até 2050 se nada for feito, e é com isso que contam empresas tecnológicas que estão a vender as velas futuristas que convertem o vento em força motriz para os navios.

"É uma tecnologia antiga", afirmou à Associated Press o presidente da empresa finlandesa Norsepower, que fabrica "velas rotor", uma das hipóteses que algumas empresas de navegação já estão a experimentar, depois de a Organização Marítima Internacional, a agência marítima da ONU, ter concordado em abril passado cortar metade das emissões até 2050.

A agência pretende que os navios comecem a usar combustível com baixo teor de enxofre já em 2020, o que obrigará os armadores a usar combustíveis mais caros e a instalar filtros nos escapes dos motores.

As velas modernas aproveitam até o vento que sopra de lado, usando um princípio delineado em 1920 pelo engenheiro alemão Anton Flettner, que na altura não vingou porque o combustível era bastante mais barato.

Num dia com vento, os rotores conseguem fornecer até metade da propulsão necessária para fazer deslocar um navio.

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