União Africana aponta Cabo Verde como exemplo na redução da mortalidade materno-infantil

Os indicadores de saúde, nomeadamente da mortalidade maternoinfantil, são "muito promissores" em Cabo Verde, afirmou hoje a comissária dos Assuntos Sociais da União Africana, Amira Elfadil, considerando o país um exemplo para África.

Cabo Verde lidera a lista de países africanos com menor número de mortes associadas à gravidez e ao parto e é o segundo melhor entre os países lusófonos, apenas superado por Portugal.

"Cabo Verde está muito bem nos indicadores de saúde. Cabo Verde está a avançar e a implementar toda a estratégia de saúde para África. Os indicadores são muito promissores, muito bons", disse Amira Elfadil.

A comissária da União Africana está em Cabo Verde para lançar, na terça-feira, a Campanha de Reforço da Redução MaternoInfantil em África (CARMMA), iniciada em 2009 pela União Africana (UA) para acelerar a redução da mortalidade maternoinfantil no continente.

Amira Elfadil falava aos jornalistas, na cidade da Praia, no final de um encontro com o Presidente da República Interino, Jorge Santos.

A responsável sublinhou que Cabo Verde pode ser apontado como o exemplo de um país que "está a colocar a saúde e a educação no centro do seu desenvolvimento".

"Estamos aqui para lançar a campanha e para avaliar o quanto o país progrediu. Fizemos uma avaliação dos oito anos de funcionamento da campanha e, nessa avaliação, ficou claro que Cabo Verde está muito bem e queremos que seja um exemplo de boas práticas a partir das quais os outros estados podem aprender", disse.

Questionada sobre os Estados da UA que maiores preocupações levantam nesta área, Amira Elfadil, escusou-se a indicar os países, mas sublinhou os efeitos negativos dos conflitos e da instabilidade política nos progressos em matéria de saúde e mortalidade maternoinfantil.

"Há Estados que estão a ficar para trás por causa de questões como os eternos conflitos, a instabilidade, altas taxas de pobreza, mas também há países com muito bons indicadores. Não quero apontar nomes, apenas dizer que Cabo Verde está a ser um exemplo e a procurar assegurar a saúde dos cidadãos, investindo mais no setor", disse.

A campanha Reforço da Redução da Mortalidade MaternoInfantil em África foi lançada em maio de 2009 sob o tema "África está preocupada: nenhuma mulher deve morrer de nascimento".

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), revelam que Cabo Verde tem a menor mortalidade materna entre 47 países africanos, tendo registado, em 2015, 42 mortes por 100 mil nascimentos (53 mortes em 2013).

Entre os países lusófonos é o segundo melhor classificado neste indicador, a seguir a Portugal que tem 10 mortes por 100 mil nascimentos.

Brasil (44 mortes), São Tomé e Príncipe (156), Angola (477 mortes), Moçambique (489) e Guiné-Bissau (549 mortes) são os indicadores dos restantes países lusófonos.

Globalmente, a OMS regista uma média de 830 mortes diárias por complicações ligadas à gravidez e ao nascimento, sendo que dois terços ocorrem no continente africano.

Os dados da OMS apontam também progressos na mortalidade infantil em menores de 05 anos, tendo Cabo Verde passado de 26 mortes por mil nascimentos em 2013 para 24,5 mortes por mil em 2015.

Dados divulgados em 2016 pelo Ministério da Saúde de Cabo Verde situam a taxa de mortalidade infantil dos menores de 05 anos em 17,5 por mil nados vivos.

Os dados da OMS revelam uma subida de mortes em menores de um ano, passando de 11,4 em 2013 para 12,2 mortes por mil nascimentos em 2015.

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