Tribunal de Aveiro começou a julgar suspeitos de assaltos violentos a idosos

O Tribunal de Aveiro começou hoje a julgar cinco homens, todos com ligações familiares, suspeitos de quatro assaltos violentos a idosos que viviam sozinhos, em várias localidades da região da Bairrada, entre maio e junho de 2017.

Os arguidos, com idades entre os 17 e 39 anos, estão acusados de vários crimes de roubo. Três deles respondem ainda por um crime de sequestro, dois por detenção de arma proibida e um outro por burla informática na forma tentada.

Um miúdo de 14 anos, filho do arguido mais velho, também terá participado em três assaltos, mas como era menor à data dos factos, não está a ser julgado por não ser criminalmente imputável.

Todos os arguidos quiseram falar no julgamento, tendo confessado apenas a autoria do último assalto, praticado no dia 25 de junho de 2017, e que teve como vítima um homem de 82 anos que vivia sozinho em Sangalhos.

Perante o coletivo de juízes, os arguidos apresentaram a mesma versão dos acontecimentos, com ligeiras variantes, contando que andavam a apanhar paus para fazer tacos, quando viram o idoso no exterior da habitação.

Nessa altura, alguns dos arguidos agarraram o idoso e atiraram-no ao chão, tendo um deles desferido uma pancada com um pau, enquanto os restantes entraram na casa e roubaram "várias postas de bacalhau, um ou dois frangos, um saco com pão, garrafas de cerveja e um telemóvel".

"Não era para fazermos mal ao homem. Só íamos roubar comida", disse o arguido mais velho, adiantando que não tinham nada para comer em casa.

Os arguidos revistaram ainda o idoso e retiraram-lhe uma nota de 20 euros e o cartão multibanco, com o qual tentaram, sem sucesso, levantar dinheiro numa caixa ATM.

Além deste caso, o Ministério Público (MP) atribui aos arguidos mais três assaltos a pessoas idosas em Oliveira do Bairro e Mealhada.

Apesar de as vítimas terem idades entre os 82 e 94 anos, o MP diz que os arguidos não hesitavam em recorrer à violência, chegando a empunhar armas de fogo e facas, como forma de coação para obrigar os idosos a revelar onde guardavam o dinheiro e os bens.

Os indivíduos foram detidos pela Polícia Judiciária em julho de 2017, tendo os quatro mais velhos ficado em prisão preventiva.

Durante uma busca domiciliária, as autoridades recuperaram parte do material roubado e furtado, tendo sido apreendidas diversas armas, incluindo duas espingardas caçadeiras e dezenas de cartuchos, além de mocas, bastões e armas brancas.

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