No final do mês de julho os trabalhadores da Ecalma realizaram uma greve parcial, mas, como "nada foi respondido", vão protestar de forma integral nos dias 17 e 18 de agosto, disse hoje à Lusa Pedro Rebelo, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL).."Voltamos à greve basicamente pelas mesmas razões: pela recusa de aumentos salariais e pela recusa da revisão do Acordo de Empresa em relação às carreiras", explicou o responsável..Neste protesto, o sindicato e os trabalhadores continuam a mostrar-se contra o uso do sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na administração pública (SIADAP). ."O STAL desde o início que recusa o SIADAP porque é uma vergonha, apenas 25% dos trabalhadores poderão ter acima de um ponto, ou seja, apenas 25% poderão ver o seu mérito reconhecido e progredir na carreira", justificou. .Além disso, o sindicalista indicou que "os trabalhadores estão sem um aumento salarial desde 2009". .Outra das questões que o sindicato pretende ver esclarecidas é a melhoria das condições de trabalho no parque da Cova da Piedade, que, no seu entender, "são completamente deploráveis"..Segundo Pedro Rebelo, está prevista a transferência para as Casas Velhas, na Charneca de Caparica, para "um terreno da Câmara Municipal com usufruto da Polícia de Segurança Pública (PSP) e que precisa de obras". ."O contrato deste atual parque termina em outubro, mas ainda não há uma empreitada em andamento para as instalações. Nós valorizamos o compromisso, mas queremos algo mais sólido para garantir que a transferência vai acontecer", explicou. .De acordo com Pedro Rebelo, a decisão de iniciar uma nova greve "foi tomada em plenário por unanimidade", o que, a seu ver, contraria "o que o conselho de administração tem tentado transmitir: não há um sindicato a manipular". .A agência Lusa contactou o conselho de administração da Ecalma, mas o presidente, Gabriel Oliveira, não se encontra disponível para prestar declarações. .A diretora-geral da empresa, Carla Siza, informou apenas que o presidente, "ao ter conhecimento de uma nova greve, agendou uma reunião com todos os trabalhadores, que vai ter lugar no dia 16 de agosto". .Para Pedro Rebelo esta reunião é uma forma "de tentar condicionar a adesão à greve". .A agência Lusa também contactou a Câmara Municipal de Almada, mas a autarquia decidiu não prestar declarações sobre o assunto, que considera ser da competência da administração da empresa. .Entre os dias 26 e 31 de julho os trabalhadores da Ecalma realizaram uma greve parcial, de uma hora diária (entre as 11:00 e as 12:00), tendo manifestado o seu descontentamento em concentrações junto à sede da empresa. .Segundo a empresa, em 90 trabalhadores contratados, cerca de 30 participaram no protesto. .No último dia de manifestação, Pedro Rebelo reuniu-se em plenário com os trabalhadores e indicou que a ideia era "a continuação do processo reivindicativo", porque "na prática nada foi respondido". .Nessa ocasião, o presidente da Ecalma, Gabriel Oliveira, disse à Lusa que "não foi preciso chegar a um acordo" com os trabalhadores e que este protesto foi "uma greve perfeitamente política". ."As condições que se encontram na Ecalma desde o início do ano são reconhecidas pelos trabalhadores", apontou.