Sintra prepara estacionamento e empresa municipal para gerir transportes elétricos na vila

A Câmara de Sintra projeta criar um novo parque de estacionamento junto ao interface da Portela e investir na construção de um silo automóvel, que servirá para transportar visitantes até ao centro histórico em veículos elétricos, anunciou fonte municipal.

"Estamos a passar um dos piores momentos, porque temos a estrada de São Pedro fechada e grande parte dos veículos, nomeadamente os autocarros de turismo, que cada vez são mais, vêm todos pela Estefânea", disse hoje à agência Lusa o presidente da autarquia, Basílio Horta (PS).

O autarca, perante os constantes congestionamentos de trânsito no acesso à vila, principalmente ao fim de semana, reconheceu que o aumento de turistas "cria um problema", que a câmara tem de procurar resolver.

No início de junho será reaberto o acesso ao centro histórico através de São Pedro de Penaferrim - prosseguindo a remodelação das redes de saneamento básico noutras ruas, para desespero de comerciantes -, que será "um grande alívio para a vila, mas não chega", reconheceu.

"Estamos a pensar abrir um parque de estacionamento no interface da Portela. Vai ser para 550 carros, num terreno que arrendámos por 60.000 euros por ano", adiantou Basílio Horta.

O espaço, do lado oposto ao interface rodoferroviário, com cerca de 8.600 metros quadrados (m2), deverá ser terraplenado pela câmara, revestido de 'tout-venant' (saibro), terá uma entrada e uma saída, com utilização inicial gratuita, prevendo-se que as obras tenham início "nos próximos meses".

Mais tarde, o parque será requalificado e explorado pela Empresa Municipal de Estacionamento de Sintra (EMES), que passará a cobrar pela sua utilização.

A autarquia quer avançar também com a construção de um silo automóvel, junto ao edifício do Departamento de Urbanismo, na Portela, apontando-se que "seja posto em concurso público internacional até ao fim do ano".

O estudo prévio do projeto do silo auto, que venceu um concurso de ideias em 2016, prevê a construção de um edifício de quatro pisos, procurando o "enquadramento e integração urbanística" e a "oferta de novos espaços qualificados para estacionamento, comércio, estadia e lazer".

Aproveitando o desnível junto à Avenida Movimento das Forças Armadas, o projeto contempla três pisos acima do solo e um subterrâneo, com esplanada e zonas verdes no piso superior e dois passadiços de ligação à Estefânea, incluindo a reposição da passagem sobre a linha ferroviária.

O estudo de viabilidade económica do projeto fez depender a sua concretização da urbanização da envolvente, mas Basílio Horta defendeu que, em vez de mais construções, seja "a câmara a fazer o silo", apesar do investimento "entre 12 e 15 milhões de euros".

"No silo, para mais de 700 carros, estão previstos 1.000 m2 de área comercial. A ideia é dar em concessão a área comercial e com a receita ajudar a rentabilizar o estacionamento", revelou.

No plano está ainda a intenção de "transformar o edifício do Urbanismo num hotel, inserido numa recuperação global daquela zona", acrescentou o autarca, que vai convidar "os autores do projeto" para adaptarem a proposta à nova realidade económica.

A construção do silo permitirá à autarquia propor à empresa Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), que gere os monumentos e jardins históricos da Paisagem Cultural, classificada pela UNESCO, "a criação de uma sociedade, a MobiESintra", avançou.

A nova empresa deverá gerir "uma 'pool' de veículos elétricos, para transportar os visitantes entre o silo e o centro da vila, para retirar o trânsito automóvel do centro histórico", permitindo acesso a moradores e utentes de hotéis e da restauração.

A criação da MobiESintra com a PSML, sociedade de que o município também é acionista, pode ser "uma resposta" para condicionar o trânsito na vila velha e antecipar algumas soluções a concretizar no futuro plano de mobilidade, em elaboração.

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