"Os orçamentos nunca ou quase nunca atribuíram ao setor da saúde as verbas de que ele ia exatamente necessitar. Como a saúde é um direito, o que acontece é que o gasto se faz e, depois, financia-se quando se pode. O subfinanciamento pode existir transitoriamente, mas a sub-orçamentação é que é um problema. E quando há sub-orçamentação, quase por definição, não pode haver boa gestão, porque deixa de haver o papel disciplinador e de previsão do orçamento", afirmou Teodora Cardoso durante uma conferência do projeto 3 F -- Financiamento Fórmula para o Futuro, promovido pela Associação dos Administradores Hospitalares..A responsável insistiu que a sub-orçamentação é "um problema crónica do setor da saúde em Portugal" e que é um problema "muito específico desse setor", embora não exclusivo, alertando que deve haver uma distinção entre sub-financiamento e sub-orçamentação.."O financiamento vai aparecendo, tem aparecido, mas aparece tarde e de forma não programada", disse..Para Teodora Cardoso, a saúde é um dos setores que, agora, "precisa de muito mais recursos", por vários fatores, incluindo a questão demográfica, do envelhecimento e da maior esperança de vida..E este é um problema "complicado" que se coloca ao Ministério das Finanças.. "Numa fase em que as disponibilidades públicas para financiar esses gastos estão limitadas ao que o país consegue produzir de receitas públicas, é um problema muito complicado que se põe às Finanças", alertou Teodoro Cardoso embora assumindo que não se trata de uma questão exclusiva do setor da saúde..Também na saúde se coloca atualmente a questão da necessidade de "medir resultados dos gastos e das despesas", com a presidente do Conselho das Finanças Públicas a considerar que isto não é feito no Estado com a generalidade da despesa pública.."As despesas fazem-se e vão-se fazendo. E os resultados não são medidos, não são analisados", considerou Teodora Cardoso..Aliado a esta questão está associado outro problema, que é o da informação sobre os custos:."Não sabemos quanto custa praticamente nada na despesa pública. Sabemos custos globais, mas não quanto a políticas ou procedimentos".