Roteiro quantifica custo de neutralidade carbónica e efeitos na economia e sociedade

O Governo quer saber quanto custa chegar à meta da neutralidade carbónica e que implicações tem na economia e na sociedade, sendo que na produção de eletricidade, transportes e resíduos é preciso reduzir em 85% as emissões.

O roteiro para a neutralidade carbónica, uma meta que Portugal pretende atingir em 2050, "não é só a elaboração de metas de redução [de emissões], é também perceber quanto custam e que implicações têm no conjunto da economia e da sociedade", disse hoje à agência Lusa o ministro do Ambiente.

Portugal comprometeu-se a atingir a neutralidade carbónica em 2050, ou seja, reduzir as emissões de dióxido de carbono e conseguir "anular" as restantes, por exemplo utilizando o sequestro pelas florestas, uma meta mais ambiciosa que a europeia que é de até 2030 diminuir em 40%.

Para conseguir aquele objetivo, o Governo está a elaborar o Roteiro para a Neutralidade Carbónica, e, como a aposta na neutralidade carbónica ultrapassa "largamente" o setor público, o governante salientou a importância de ser discutido o documento desde o primeiro dia, o que vai acontecer na quarta-feira, com o coordenador do projeto a apresentar a sua metodologia, numa sessão com a participação de várias pessoas dos setores da energia, transportes, indústria, resíduos e economia circular.

"Logo desde o primeiro dia, queremos que este seja um trabalho aberto, porque este trabalho vai ter de se concluir com um conjunto de compromissos", explicou João Pedro Matos Fernandes.

Os setores envolvidos no objetivo da neutralidade carbónica são "o eletroprodutor, dos transportes, da energia, dos resíduos, como setores onde é preciso reduzir drasticamente, 85% das emissões até 2050", referiu.

"De uma maneira geral, quase todos os setores da economia têm vindo a reduzir as suas emissões. Naturalmente este ano, sendo de seca, dificilmente isso acontecerá", apontou o ministro.

O governante recordou que existem estudos a demonstrar que a aposta numa economia de baixo carbono leva à criação de emprego, mas defendeu que é necessário ter a certeza à escala do país e, devido à "dimensão" do desafio, "definir muito bem quais as trajetórias custo eficazes para cada um dos setores e definidos diversos cenários macro económicos" e as suas implicações e é este o trabalho do Roteiro de Neutralidade Carbónica.

O Estado e o Governo têm um papel a desempenhar e o ministro considera que já há trabalho feito. Apontou como exemplos a aquisição de 500 autocarros de elevado desempenho ambiental para os transportes coletivos em Portugal ou a aposta na mobilidade elétrica com o incentivo à compra de veículos elétricos.

Os consumidores, que devem passar a ser, cada vez mais, utilizadores, também têm a sua tarefa para o país chegar à neutralidade carbónica e o trabalho de informar e sensibilizar "tem vindo a ser feito, mas tem de ser intensificado", disse Matos Fernandes.

"Esta matéria das alterações climáticas é aquela onde sinto as pessoas mais despertas, independentemente da idade e da educação que tiveram", defendeu.

Questionado acerca das consequências dos grandes incêndios florestais para o objetivo de descarbonização, além das perdas humanas e do património natural, o governante disse que, "havendo menos floresta haverá menos capacidade para o sequestro efetivo de carbono".

Para o ministro do Ambiente, "a existência de uma floresta sustentável é da maior importância" para cumprir o Roteiro de Neutralidade Carbónica.

Os trabalhos do Roteiro contemplam a definição de cenários macroeconómicos até 2050, a modelação de emissões para o setor electroprodutor, residencial e de serviços, transportes, indústria, resíduos e agricultura e florestas, sendo que nestes últimos será igualmente modelada a capacidade de sequestro de carbono.

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