Rio rejeitou convite para convenção do Movimento Europa e Liberdade há quase um mês

O líder social-democrata, Rui Rio, rejeitou o convite para participar na convenção do Movimento Europa e Liberdade, decisão justificada à Lusa pelo partido com a presença de muitos oradores do PSD que se têm dedicado "à destabilização" interna.

Nos últimos dias surgiu alguma polémica em relação aos participantes na 1.ª Convenção da Europa e da Liberdade, organizada nos dias 10 e 11 de janeiro, em Lisboa, pelo Movimento Europa e Liberdade (MEL), tendo o eurodeputado socialista Francisco Assis anunciado na quinta-feira que declinou o convite, tal como o ex-secretário-geral do PS António José Seguro.

Em declarações à agência Lusa na quinta-feira, o presidente do MEL, Jorge Marrão, revelou que Rui Rio também tinha sido convidado, mas até então o movimento não tinha "nenhuma resposta".

Contactada pela Lusa, fonte oficial do PSD garantiu hoje que o MEL já foi informado da recusa do convite há quase um mês, concretamente no dia 07 de dezembro de 2018.

Entre os motivos para Rui Rio não participar nesta convenção estão, segundo a mesma fonte, o facto de este ser um movimento que se assume claramente como de direita e "em oposição à linha ideológica seguida pela atual direção", com uma agenda própria, participando nesta convenção muitos participantes "focados na luta partidária" e opositores da atual liderança de Rui Rio, que têm dedicado grande parte da sua atuação política "à destabilização do partido".

O PSD, acrescenta ainda, tem fóruns próprios de discussão interna para debater as questões estruturais do país.

A convenção deverá juntar várias figuras do centro-direita português, casos da atual e do antigo presidente do CDS-PP, Assunção Cristas e Paulo Portas, respetivamente, do líder do partido Aliança, Pedro Santana Lopes, do ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro e do antigo presidente do PSD Luís Marques Mendes.

Concretamente sobre o movimento, Jorge Marrão considerou que este "tem um papel ambivalente" porque "quer ser escrutinador do regime democrático, mas ao mesmo também quer ajudar os próprios partidos para que eles possam fazer um diálogo diferente com o eleitorado".

"O eleitorado, por razões conjunturais, não percebe que há reformas que têm que ser executadas sob pena de perdermos uma oportunidade para o país", avisou.

Segundo o presidente do MEL, "esta plataforma de ideias podia ser muito útil aos partidos de poder" - que na sua opinião são PS e PSD e também partidos de aliança, como foi o CDS-PP - para que estes possam "enfrentar alguns novos desafios que, através da sua prática política, não conseguem enfrentar".

"É um movimento da sociedade civil que não é contra os partidos. Pelo contrário, acha que a afirmação da democracia é cada vez mais relevante com o fortalecimento dos partidos e até da sua maior liberdade de iniciativas", assegurou.

Jorge Marrão recusa "partidos de extrema-esquerda ou de extrema-direita", uma vez que "os sistemas democráticos, ao não conseguirem fazer as reformas, vão dar azo a que nasçam novos partidos com versões muito mais extremadas e mais populistas".

"Em Portugal, temos um Governo que é de um partido, mas tem apoio parlamentar de dois partidos de extrema-esquerda e que obviamente tornam a política mais difícil para o próprio PS", criticou.

O MEL, prosseguiu, "pretende denunciar que a coligação feita com partidos de extrema-esquerda ou de extrema-direita vai gerar incapacidades de reformas no sistema democrático como ele é hoje".

"O facto de o PS estar coligado impede-o, provavelmente, de ser mais arrojado num conjunto de reformas", apontou.

Francisco Assis, na sua carta, à qual a agência Lusa teve acesso, afirmou que os pressupostos subjacentes ao convite que lhe foi dirigido e que o levaram inicialmente a aceitar o mesmo, "foram drasticamente alterados nos últimos dias dada a natureza de várias notícias vindas a público sobre tal iniciativa e dado o sentido de declarações proferidas pelo próprio presidente do movimento organizador".

"Não posso, como é por demais evidente, participar num encontro que passou a ser publicamente anunciado como uma espécie de "estados gerais" do centro-direita, tendo em vista a afirmação de um projeto alternativo de poder. E não posso por razões tão simples quanto inultrapassáveis. Com efeito, não faço parte do centro-direita português e nunca reneguei a minha condição de homem da esquerda democrática e de militante do PS", alegou Francisco Assis.

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