Quatro polícias detidos após disparos que fizeram três mortos em festa em Díli

Quatro polícias timorenses foram hoje detidos e suspensos preventivamente por estarem armados fora de serviço, após disparos de agentes contra jovens terem provocado três mortos e três feridos graves numa festa em Díli, disse o comandante da Polícia.

O comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), Julio Hornay, confirmou à Lusa que quatro agentes foram detidos na sequência dos incidentes da madrugada de hoje por estarem armados, fora de serviço, na festa onde ocorreram os disparos, em Díli.

Os disparos mataram três pessoas e deixaram outras três em estado grave.

"A informação inicial é de que só dois dispararam contra as pessoas, mas os quatro estavam armados e por isso estão todos detidos e vão ser presentes a tribunal amanhã [segunda-feira]. Só depois da investigação saberemos quem fez o quê", explicou.

Hornay afirmou que, ao estarem armados fora de serviço, os agentes "violaram a lei e têm de assumir as consequências".

"As regras são muito claras. Os membros que andam com armas fora do serviço estão a violar a lei. E tanto eles com os seus comandantes têm de assumir as consequências e as responsabilidades disso", afirmou à Lusa.

Em termos institucionais, disse, a PNTL aplicou já suspensão preventiva aos agentes, estando o caso nas mãos do Ministério Público.

"Enviei também uma diretiva para todos os comandantes para que reforcem o controlo das armas", disse.

"O mais importante é o dever dos comandantes controlarem as armas. As armas só podem ser usadas em serviço. A lei e as regras dizem isto. Um individuo que viola estas regras assume as responsabilidades e os seus comandantes também", insistiu Hornay.

Hornay lamentou o incidente, insistindo que a PNTL é uma "instituição do Estado, mas também do povo" e que casos como este afetam a credibilidade da instituição.

"Sinto-me muito triste quando membros da PNTL atuam desta maneira. Não é correto e não vamos tolerar que usem armas contra o povo, sem razão, violando a lei. A lei prevê que se usem apenas em serviço e em caso de necessidade", disse.

"Tomaremos medidas fortes contra quem afete negativamente o povo e o prestígio da instituição. Somos profissionais ao serviço do povo e o comando vai garantir o cumprimento da lei", disse.

O incidente ocorreu durante a madrugada numa festa no bairro de Culuhun, onde residiam tanto as vítimas como os agressores, desconhecendo-se o que esteve na origem da discussão.

O caso está a suscitar críticas nas redes sociais em Timor-Leste, nomeadamente por os polícias usarem a arma de serviço quando não estão a trabalhar.

Incidentes envolvendo agentes ou efetivos militares fora de serviço ocorrem com alguma regularidade em Timor-Leste.

Na semana passada, uma discussão numa festa, envolvendo pelo menos um polícia fora de serviço obrigou a uma intervenção policial e pelo menos duas pessoas ficaram feridas.

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