Pulverização para reduzir elevado índice da malária em Angola -- Governo

Luanda, 25 abr 2019 (Lusa) - O secretário de Estado para a Saúde Pública angolano anunciou hoje que decorrem nas províncias do Cunene e Cuando-Cubango campanhas de "pulverização intradomiciliar" para "eliminar a malária", que causou mais de 11 mil mortes no país em 2018.

Segundo José Vieira da Cunha, a campanha, que surge no âmbito dos esforços da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para a eliminação da malária, "é de efeito residual e dura no mínimo três a quatro meses".

"A intervenção está a ser implementada de forma focalizada noutras províncias do país e, em breve, poderemos colher os resultados desta ação preventiva", assegurou, recordando que a malária "é o principal problema de saúde pública" em Angola.

O governante, que presidiu, em Luanda, à cerimónia do Dia Mundial da Malária, que se assinala hoje, sublinhou que a doença "é igualmente a principal causa de absentismo laboral e escolar".

"Constitui uma das principais causas de baixo peso ao nascer, de anemia em mulheres grávidas e de mortalidade relacionada com a gravidez, parto e pós-parto" adiantou.

A malária é a primeira causa de morte em Angola, seguido dos acidentes de viação e, de acordo com as autoridades, representa cerca de 20% dos internamentos nas unidades sanitárias e cerca de 35% da procura de cuidados curativos.

Segundo os dados oficiais, em 2018 morreram pelo menos 11.814 pessoas por malária, sendo que 51% das vítimas foram crianças dos 0 aos 4 anos.

Naquele período, Angola registou uma taxa de incidência de 203 casos/1000 habitantes.

Na sua intervenção, José Vieira da Cunha referiu que, em 2018, a autoridades sanitárias desenvolveram um programa multissetorial para o controlo da epidemia da malária, suportado financeiramente pelo Orçamento Geral do Estado (OGE).

Vigilância Epidemiológica, Controlo Vetorial Laboratorial e Ambiental, a Gestão de Casos e a Melhoria do Diagnóstico e Tratamento, Comunicação e Mobilização e Monitorização e Avaliação foram algumas ações desenvolvidas no âmbito do programa.

Porém, assinalou que a luta contra a malária "não pertence apenas ao setor da Saúde", uma vez que implica o envolvimento de outros setores, assim como toda a sociedade civil, e sobretudo no nível local.

"A nível local tem de se desenvolver um esforço maior no sentido de criar condições de vida saudáveis, através do envolvimento da comunidade na melhoria do saneamento básico e na eliminação dos criadores de mosquitos", apontou.

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1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?