Produtora de vinho lança campanha para recuperar negócio destruído por incêndios

A produtora de vinhos Casa de Mouraz lançou em Londres uma campanha de financiamento coletivo na internet de 100 mil euros para replantar vinhas, substituir equipamento e reconstruir o armazém, destruídos pelos incêndios de outubro em Portugal.

Esta foi uma forma encontrada pelos produtores António Ribeiro e Sara Dionísio para diversificar as formas de custeamento da recuperação do negócio, afetado pelo incêndio de 15 de outubro, que matou 45 pessoas e fez 70 feridos.

Além de 13 hectares de vinha na região do Dão, arderam também alfaias agrícolas e o armazém onde se encontrava a maioria do 'stock' da produtora, incluindo alguns vinhos reconhecidos internacionalmente.

Os prejuízos estão estimados em mais de meio milhão de euros e os fundos necessários para relançar o projeto estimados em mais de 600 mil euros.

A campanha de 'crowdfunding' pretende angariar apenas uma parte, incluindo 30 mil euros para replantar seis hectares de vinha, um quinto do total necessário, e metade dos 20 mil euros necessários para comprar novas máquinas.

Um terceiro objetivo é o lançamento de uma ambição antiga, a da construção de uma nova adega e armazém, que ofereça melhores condições para o uso de novas técnicas e tecnologias.

António Ribeiro disse à agência Lusa ter recebido manifestações de solidariedade e de apoio de muitas partes do mundo, inclusive de clientes na Noruega e Luxemburgo que já prometeram comprar futuras colheitas.

"A coisa que me mais me fez levantar o espírito foi ver a quantidade de emails de pessoas a oferecer ajuda", disse António Ribeiro.

A ideia da campanha na internet foi uma das propostas, feita por José Cardoso e Rita Maia, antigos clientes da Casa de Mouraz e fundadores da plataforma The Portuguese Conspiracy, que vai ainda organizar um evento no sábado em Londres.

Uma festa com prova de vinhos, petiscos e um concerto do cantor iraniano Mazgani servirá também de lançamento público da iniciativa, que foi apresentada na quinta-feira na embaixada de Portugal no Reino Unido.

Donativos de 20 euros a 5.000 euros dão direito a agradecimentos especiais, t-shirts, vales de compras de vinho, garrafas com rótulos personalizados e acesso a uma reserva especial da produtora.

"Esta campanha permite que o dinheiro não venha só dos bancos, mas que seja algo feito pelas pessoas. Todos farão parte da Casa de Mouraz para sempre", enfatizou Sara Dionísio.

Lançada em 2000 numa propriedade familiar de António Ribeiro, a Casa de Mouraz começou com uma produção de 10 mil garrafas, mas nos últimos anos chegou às 250 mil garrafas, incluindo vinhos feitos no Douro, Alentejo e Minho (vinho verde).

Com as exportações a representarem 95% das vendas, para países como Alemanha, Noruega ou Japão, o volume de negócios ascendeu a perto dos 800 mil euros.

A produtora é pioneira da viticultura orgânica e biodinâmica e alguns dos seus vinhos foram elogiados pelos críticos britânicos Jancis Robinson, Jamie Goode, Julia Harding e Sarah Ahmed.

As duas últimas escreveram entradas nas suas páginas eletrónicas sobre o sucedido e a revista especializada Decanter também publicou um artigo sobre o impacto dos incêndios deste verão na produção de vinho em Portugal e Espanha.

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