Primeiras vitórias internacionais podem impulsionar hóquei no gelo em Portugal

A seleção portuguesa de hóquei no gelo venceu pela primeira vez jogos internacionais, frente a Andorra, e o presidente da Federação Portuguesa de Desportos de Gelo (FPDG), Maurício Xavier, disse acreditar que estes triunfos podem "impulsionar a modalidade".

A equipa das 'quinas' venceu por 3-2 Andorra, em 29 de setembro, no jogo inaugural do Development Cup, disputado em gelo andorrano, voltando a bater a seleção anfitriã, por 5-3, dois dias depois, arrebatando o terceiro lugar do quadrangular patrocinado pela Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF).

Na mesma prova, a formação lusa, que é comandada pelo canadiano Jim Aldred, perdeu frente à República da Irlanda, por 9-4, e Marrocos, por 11-2.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da FPDG reconheceu que a primeira vitória foi "bastante gratificante" e que significou muito para o grupo que se deslocou a Andorra, tendo em conta as dificuldades que vão encontrando ao longo do ano para treinar.

"O que há a destacar daqui é que a nossa equipa é um grupo de pessoas que nem pista de jogo tem para treinar e que venceu uma equipa com mais condições nesse capítulo. Acredito que se tivéssemos tido mais apoios, podíamos ter feito melhor e termo-nos batido com Marrocos, que venceu", explicou o dirigente.

Para Maurício Xavier, a grande limitação para o avanço da modalidade em Portugal é o facto de não haver qualquer pista para a prática do hóquei do gelo, uma situação que "envergonha" o dirigente.

"Falta-nos uma pista de gelo. É isso que falta para a modalidade se afirmar no nosso país. Sinto uma vergonha tão grande nisso e depois dizer que, por exemplo, Marrocos tem duas pistas de gelo ou que Espanha tem quase 20. Nós nem uma temos. Lisboa está a candidatar-se para a Capital do Deporto em 2021 e esta questão continua por resolver", lamentou.

O presidente disse acreditar que, com apoios e infraestruturas, a modalidade tem "pernas para andar" em Portugal, porque existem "muitas pessoas dispostas a fazer sacrifícios só para treinar".

"Os nossos jogadores vêm essencialmente da patinagem em linha. No gelo, aproveitamos as pistas ocasionalmente montadas, essencialmente, na altura do Natal, para treinar", explicou.

Mas o dirigente está otimista em relação ao futuro e defendeu que, no próximo ano, quando voltarem a participar no torneio em Andorra a situação vai ser diferente.

"Se formos ao mesmo torneio já vamos com uma equipa diferente. Esta vitória chamou a atenção de vários jogadores que não acreditavam em nós. Vai ser diferente, estou confiante", rematou.

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