Primeira feira JustLX com "balanço positivo" e 6.000 visitantes - organização

A organização da primeira edição da feira internacional de arte contemporânea JustLX, que encerrou domingo, em Lisboa, fez hoje um balanço positivo do certame, que recebeu mais de 6.000 visitantes em quatro dias.

Fonte da organização, da responsabilidade da ArtFairs, entidade espanhola que organiza a feira, disse à agência Lusa que as galerias participantes destacaram "o bom funcionamento e as agradáveis vendas", nesta primeira edição, que decorreu no Museu da Carris.

No museu estiveram cerca de 150 artistas representados por 42 galerias de Portugal, Brasil, Espanha, México, Reino Unido, Marrocos e Estados Unidos.

Do total de galerias, 15 eram portuguesas e duas brasileiras, tendo as galerias espanholas marcado uma presença com maior peso.

A feira entregou o I Prémio de Arte Emergente da Fundação Millennium bcp à artista Estefanía Martín Sáenz, da Galeria Gema Llamazares, cuja obra integrará a coleção de arte da fundação.

O tema desta primeira edição foi "o compromisso tecnológico e meio-ambiental, como ponto de partida na criação contemporânea".

Daniel Silvo, um dos membros da direção artística do certame, disse à agência Lusa, quando da apresentação do certame, em Lisboa, que esta feira não pretendia fazer concorrência à ARCOlisboa, mas sim "constituir-se como um complemento, com um perfil de galerias, também contemporâneo, de qualidade e internacional".

A terceira edição da ARCOlisboa - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa regressou este ano à Cordoaria Nacional, no mesmo período, com 72 galerias de arte contemporânea de 14 países.

"Nós somos diferentes e seremos um complemento", apontou Daniel Silvo, comissário e artista, acrescentando que a ideia é aproveitar os visitantes da ARCOlisboa, interessados em arte e apresentar mais uma oferta no mesmo setor.

A empresa espanhola ArtFairs organiza a JustMad -- Feira Internacional de Arte Emergente desde há nove anos, em Madrid, uma feira de arte contemporânea internacional que recebe cerca de 20 mil visitantes por ano e tem a participação regular de quatro a seis galerias portuguesas, disse à Lusa Daniel Silvo.

Lisboa não foi a primeira internacionalização da JustMad, já que, em 2012, organizaram uma feira de arte contemporânea em Miami, nos Estados Unidos.

Aposta da JustLX foram iniciativas artísticas no continente africano, com uma secção coordenada pela artista Gloria Oyarzábal, que colocou em destaque as propostas de artistas e galerias em África.

O projeto contou ainda na direção com o português Lourenço Egreja - comissário independente e um dos fundadores do Carpe Diem Arte e Pesquisa - e Semíramis González.

No programa geral estavam, entre outras, as galerias 111, (Lisboa, Portugal), Fúcares (Almagro, Espanha), Módulo (Lisboa, Portugal), 55sp (São Paulo, Brasil), Gema Llamazares (Gijón, Espanha), Trema (Lisboa, Portugal), Espacio Líquido (Gijón, Espanha), Arte Periférica (Lisboa, Portugal), Aurora Vigil-Escalera (Gijón, Espanha), Art Concept Alternative (Flórida -- Estados Unidos), A Pequena Galeria (Lisboa, Portugal), Guillermina Caicoya (Oviedo, Espanha), Puxa Gallery (Madrid, Espanha).

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

Premium

nuno camarneiro

É Natal, é Natal

A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...