Presidente da Cáritas Portuguesa alerta para riscos de regresso ao crédito fácil

O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca, alertou hoje, em Cabo Verde, para os riscos de voltar ao crédito fácil para determinadas famílias, apelando para uma atitude mais reguladora e interventiva do Estado.

"Estou a ficar preocupado com, novamente, as facilidades de acesso ao crédito de determinadas pessoas e determinadas famílias, que não são esclarecidas e estão a ser induzidas outra vez a contraírem endividamentos que podem ser altamente prejudiciais", disse Eugénio da Fonseca.

O presidente da Cáritas Portuguesa, que falava à agência Lusa em Cabo Verde, onde participa no fórum das Cáritas dos países lusófonos, defendeu, por isso, uma "atitude mais reguladora e interventiva" do Estado.

"Há instâncias demais de acesso ao crédito e ao crédito fácil" sublinhou, lembrando que, ainda hoje, existem pessoas em situação de pobreza por não se terem conseguido "livrar dos endividamentos que contraíram" antes da crise económica que Portugal atravessou.

Eugénio da Fonseca adiantou que atualmente "é evidente" que Portugal está "no caminho da recuperação económica", considerando que existem sinais da melhoria de vida das pessoas, mas ressalvou que esses sinais ainda não se traduziram na "quebra da taxa de pobreza", que se situa acima dos 17% da população.

"Estamos a sentir que há uma melhoria sobretudo porque foram retomadas politicas sociais que foram penalizadas durante a crise. Refiro-me ao rendimento de inserção social, ao complemento solidário para idosos e aos abonos de família. Logo aqui nota-se uma diferença naquilo que é básico para as pessoas, mas no conjunto ainda não se nota essa quebra em termos de taxa de pobreza", disse.

Eugénio da Fonseca sublinhou que a queda da taxa de desemprego é um dos indicadores de que as coisas estão a melhorar, mas pediu atenção para o tipo de empregos que está a ser criado, que são em regra temporários e com remunerações baixas.

"Continuam a aparecer e a pedir ajuda financeira para satisfação das necessidades básicas pessoas que, mesmo tendo encontrado trabalho, continuam pobres", disse, ressalvando que este não é um problema novo em Portugal.

"Já antes da crise acontecia. Nos 20 e tal por cento de pobres que chegamos a ter antes do ano 2000 e nos 17% por cento quando a crise eclodiu, uma boa percentagem eram trabalhadores pobres", acrescentou.

Para Eugénio da Fonseca, encontrar trabalho não foi a solução para os problemas de muitas pessoas "por causa dos encargos do endividamento e também porque os salários são baixos".

O presidente da Cáritas Portuguesa assumiu como grande preocupação da organização, os desempregados de longa duração, pessoas com 50, 40 e até 35 anos, que perderam o emprego e para as quais não existem ofertas no mercado de trabalho.

Eugénio da Fonseca alertou também para a necessidade de Portugal enfrentar o problema da pobreza infantil.

"Continuamos com índices muito preocupantes, fala-se de 27% das crianças que estão em situação de pobreza", disse.

Eugénio da Fonseca participa em São Salvador do Mundo, município do interior da ilha cabo-verdiana de Santiago, no nono fórum das Cáritas dos países lusófonos, que tem na agenda os temas da pobreza e das desigualdades.

O encontro, que reúne representantes das Cáritas de Cabo Verde, Portugal, Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, termina a 17 de outubro, data em que se assinala do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

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