Plantas endémicas dos Açores inspiram coleção de joias

Uma ourivesaria na ilha Terceira, nos Açores, criou uma linha de joias inspirada nas plantas endémicas do arquipélago, que está a despertar interesse de turistas e cientistas, mas também dos açorianos.

"Os locais também têm gostado. É um certo orgulho de ser açoriano, de ser local, de ser típico. E por outro lado, por ter valor e ser fácil de transportar", adiantou, em declarações à Lusa Lurdes Teles, uma das proprietárias da Ourivesaria Teles.

Fundada em 1898, por um lisboeta de Alfama que se mudou para os Açores como amador de teatro e se estabeleceu na ilha Terceira como ourives de prata, a Ourivesaria Teles mantém-se como empresa familiar e vai já na quarta geração.

Com mais de um século de experiência a vender peças de outras marcas, a ourivesaria decidiu criar em junho de 2015 a Be Accori, uma marca própria, inspirada nos Açores, que já conta com 20 linhas.

As peças não são confecionadas nos Açores, por falta de meios, mas a ideia e o esboço inicial partem da Ourivesaria Teles, que foi certificada com o selo Marca Açores, devido à Be Accori.

Depois de peças com imagens mais tipicamente associadas ao arquipélago, como golfinhos e cachalotes ou a pomba que é símbolo das festas do Espírito Santo, a empresa decidiu criar peças inspiradas em plantas endémicas.

"Sempre nos quisemos diferenciar. Não queríamos fazer exatamente tudo aquilo que era conhecido", salientou Lurdes Teles, neta do fundador, que já trabalha na ourivesaria há 24 anos.

Depois de alguma pesquisa sobre as plantas existentes, Lurdes Teles pediu a um amigo que lhe mostrasse um folhado dos Açores, durante um passeio pedestre.

"Eu vi fotografias, mas queria ver a planta ao vivo", explicou, acrescentando que foi esse amigo que lhe deu a conhecer outras plantas da família das árvores de pequeno porte.

A ourivesaria prevê criar peças inspiradas em oito plantas endémicas e seis já foram lançadas: o azevinho das ilhas (illex azorica), o folhado dos Açores (viburnum treleasei), a uva-da-serra (vaccinium cylindraceum), o sanguinho (frangula azorica), a ginjeira brava (prunus azorica) e o cedro-do-mato (juniperus brevifolia).

"As primeiras duas que lançámos, o azevinho e o folhado, tiveram tanto sucesso na altura que achámos interessante continuar com a família dessas plantas", adiantou a empresária.

Criada a pensar nos turistas, a linha tem conquistado também os locais, que não só compram como sugerem novas peças.

"O público tem tido das mais variadas reações e eu acho muito interessante quando nos vêm fazer sugestões. Já veio cá uma senhora que nos deu o nome de uma planta endémica de Santa Bárbara", disse Lurdes Teles.

Os turistas também já se deslocam à loja à procura das peças inspiradas nas plantas endémicas e há até quem as peça pelo nome científico.

"No primeiro ano, passados dois três meses de termos lançado a Be Accori, foi muito gratificante chegar aqui uma turista americana que vinha à procura da folha dos Açores", sublinhou.

A coleção despertou também o interesse da comunidade científica e chegou a ser apresentada num congresso de biodiversidade.

"Apareceu aqui uma senhora de origem francesa que gostou das peças e comprou. Voltou à loja e pediu para falar com a pessoa responsável, porque achava interessante fazermos uma apresentação, porque tinha tudo a ver com o seminário que estava a ser organizado pela Universidade dos Açores", recordou Lurdes Teles.

As peças são acompanhadas por pequenas explicações sobre as plantas assinadas pelo professor da Universidade dos Açores, doutorado em ecologia vegetal, Eduardo Dias, e são embrulhadas em embalagens que também fazem lembrar os Açores.

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