"Acho que se justifica a demissão do senhor presidente da APA, porque prestou um mau serviço e, se não é capaz de fazer um bom serviço público, deve demitir-se", defendeu José Gonçalves, presidente da Câmara de Aljezur (PS), no distrito de Faro..José Gonçalves falava à margem do protesto que juntou mais de uma centena de pessoas no largo da autarquia aljezurense, contra a decisão da APA em dispensar de estudo de impacto ambiental a prospeção de petróleo ao largo de Aljezur, pelo consórcio Eni/Galp..Na manifestação participaram ainda os presidentes das câmaras de Lagos e de Vila do Bispo, também eleitos pelo Partido Socialista, onde manifestaram igualmente o descontentamento face à decisão da APA, conhecida na quarta-feira..O presidente da APA, Nuno Lacasta, justificou a decisão referindo que "não foram identificados impactos negativos significativos" na realização do furo de prospeção petrolífera..A decisão da APA foi anunciada em conferência de imprensa, na sede da Agência, no último dia do prazo previsto..Na opinião do presidente da autarquia algarvia, a decisão da APA "pode abrir um precedente muito perigoso na isenção de estudos de impacto ambiental, porque pode vir a ser aplicada a mesma regra para outras estruturas", nomeadamente para construções em áreas ambientais sensíveis.."O que está em causa são as exigências da segurança ambiental", destacou..José Gonçalves questionou a existência do organismo do Estado, "ao tomar uma decisão desta natureza, quando deveriam ser estes organismos que não estão na alçada política, os primeiros a defender as questões ambientais".."Para que servem se são fortes com os fracos e fracos com os fortes", questionou..José Gonçalves disse ainda que são desconhecidos "os motivos que estiveram na base da decisão da APA, defendendo a divulgação dos pareceres das comissões de coordenação e desenvolvimento do Algarve do Alentejo e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas..Segundo o autarca, na sexta-feira irá realizar-se uma reunião da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) onde vão ser decididas novas posições a tomar em relação ao assunto, bem como da Associação Terras do Infante, que integra os municípios de Aljezur, Lagos e Vila do Bispo..Ao pedido de demissão do presidente da APA pelo autarca de Aljezur, juntaram-se os vários movimentos cívicos que promoveram o protesto contra a prospeção e exploração de petróleo no largo do município..Segundo Carla Cabrita do Movimento de Cidadãos STOP petróleo Vila do Bispo, "é inadmissível que a pessoa que representa uma agência que deveria zelar pelos interesses do ambiente, acabe por tomar uma decisão destas, ao isentar o estudo de impacte ambiental para uma atividade como esta".."Vivemos numa região e num território com regras ambientais apertadas, onde para fazer determinadas coisas, aparentemente sem grande impacto, temos de cumprir as regras, e agora foi tudo facilitado", lamentou..Carla Cabrita considerou que o Governo deve explicações aos cidadãos, "sobre os critérios adotados para que fosse isentada a avaliação do impacte ambiental para a prospeção de petróleo".."Se esta indústria não causa problemas, então que provem", desafiou aquela representante do movimento cívico, acrescentando que decisão da APA "foi claramente a de dizer às pessoas que as suas opiniões não servem para nada".