PCP solidário com povo brasileiro pelo direito de Lula ser candidato presidencial

O PCP solidarizou-se hoje com "a luta das forças democráticas e progressistas" e do povo do Brasil "em defesa da democracia e pelo direito de Lula da Silva" concorrer às próximas eleições presidenciais.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será julgado na próxima quarta-feira, na cidade brasileira de Porto Alegre, por um tribunal de recurso que, além de analisar o processo, determinará mudanças de rumo nas próximas eleições presidenciais do país.

"O Partido Comunista Português solidariza-se com a luta das forças democráticas e progressistas brasileiras e do povo brasileiro em defesa da democracia e pelo direito de Lula da Silva se candidatar nas próximas eleições presidenciais no Brasil", é referido num comunicado do PCP.

De acordo com os comunistas, "o processo judicial movido contra Lula da Silva consubstancia um processo de caráter político, que tem como objetivo impedir a sua candidatura nas eleições presidenciais que se realizarão este ano no Brasil".

Este processo representa, para o PCP, "um novo passo no prosseguimento do golpe de Estado institucional que destituiu a Presidente Dilma Rousseff".

O partido -- que está presente nas iniciativas de apoio que decorrem desde segunda-feira em Porto Alegre, no Brasil -- "reafirma a sua solidariedade aos comunistas e demais forças democráticas e progressistas brasileiras, aos trabalhadores e ao povo brasileiro".

O partido liderado por Jerónimo de Sousa solidariza-se com "sua luta contra o processo golpista das forças reacionárias e do imperialismo, e o seu projeto de ataque à democracia, aos direitos políticos, sociais, económicos e culturais do povo brasileiro".

Cerca de três mil pessoas que apoiam o ex-presidente brasileiro Lula da Silva acamparam segunda-feira perto do tribunal onde o político será julgado na quarta-feira.

Líder em todas as pesquisas de intenção de voto já realizadas, o ex-chefe de Estado, em tese, ficará inelegível se a sua condenação de nove anos e meio de prisão pelos crimes de corrupção passiva e branqueamento de capitais for mantida pelos juízes do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4).

Neste caso, o ex-presidente já disse que fará uma campanha informal, prometendo afrontar os adversários ao dizer que a democracia não é plena no Brasil numa eleição em que ele injustamente foi impedido de ser candidato.

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