Novo portal para ensinar jovens a compreender a Internet disponível em 2018

A partir do próximo ano vai estar disponível nas escolas um novo portal para dotar os jovens de maior compreensão da Internet, para que a usem de forma mais esclarecida e crítica, foi hoje anunciado.

Esta nova plataforma digital, intitulada "Manual de Instruções para a Literacia Digital" (MILD), dirigida aos jovens entre os 15 e os 18 anos, com o objetivo principal de desenvolver as suas competências nos domínios da leitura, dos media e da cidadania digitais, foi hoje apresentada na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

"A ideia nasceu para se fazer como produto, como plataforma, um conjunto de ferramentas que possa contribuir para dar poder aos jovens, para que utilizem a informação de um modo que é conhecimento", disse a coordenadora do projeto MILD, Teresa Calçada.

Segundo a responsável, este projeto pretende ser um instrumento que "melhora o uso qualificado das tecnologias de informação e comunicação e tem todas as características para ser usado em ambiente de bibliotecas e em particular escolares".

De acordo com Elsa Conde, da Rede de Bibliotecas Escolares, também responsável pelo MILD, o projeto encontra-se neste momento "a ser ultimado" e estará disponível a partir de janeiro de 2018.

O projeto, que contou com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) no âmbito dos seus princípios estatutários da educação, surgiu de uma necessidade sentida de adaptar as escolas, os professores, os pais, os familiares e os educadores ao rápido avanço das tecnologias e à forma como os jovens se relacionam com elas, disse Teresa Calçada.

A ideia chave defendida na conferência é que o caminho não pode ser o do combate às tecnologias - porque, bem utilizadas, são fundamentais à sociedade -, mas o de adaptar as escolas e os próprios alunos a essa nova realidade, ensinando-os a lidar corretamente com ela.

"As escolas hoje ainda não se adaptaram, daí o valor acrescentando de uma ferramenta como esta", acrescentou Elsa Conde.

O MILD é a "resposta a uma necessidade", para melhorar o uso técnico no dia-a-dia, é "um conjunto de instrumentos que melhoram a vida do utilizador e acrescentam poder a quem os usa", sublinhou Teresa Calçada.

"A Internet é uma argamassa onde as relações se alteram e intensificam, como acontece nas redes sociais, e evidenciam que precisamos de ser proprietários de conhecimentos para não sermos esmagados por tecnologias poderosas e que só o ensino letrado nos permite entrar na sociedade de consumo de massas e mostrar que se pode acrescentar mais-valia sem ser esmagado", considerou.

Segundo Elsa Conde, este programa abrange a literacia nas áreas de leitura, tecnologias, informação, media, cultura e cívica, que constituí "um grande chapéu para a era das tecnologias novas".

Na prática, o portal vai orientar os jovens para a crítica, através de várias possibilidades pedagógicas para outros conceitos, empurrando-os para uma atitude ativa e colaborativa: parte de uma página inicial e de diferentes tópicos, a que se associam "frases amplas e desafiadoras e estimulantes" que incitam à procura de informação relacionada com cada pergunta e com cada tópico, sendo que cada um tem uma componente de mais participação.

"Primeiro há uma componente de incitação à participação mais ativa em forma de escrita e comentários - chamada participar -, depois há a componente de recursos externos -- explorar -- e finalmente a verificação da aprendizagem através de 'quizzes' - denominada responder", acrescentou.

Elsa Conde sublinhou ainda que esta ferramenta permite a partilha de informação e conhecimento nas redes sociais e numa aplicação para telemóvel.

Guilherme d'Oliveira Martins, administrador da FCG, defendeu que as telecomunicações são um dos "paradigmas que se inserem nas grandes revoluções humanas, e suscitam ao mundo da educação desafios muito exigentes", um dos quais é o combate à "dependência anómala", porque a tecnologia tem que ser um meio e não um fim".

Últimas notícias

Brand Story

Tui

Mais popular

Pub
Pub