Novas oficinas municipais libertam espaço para urbanização à entrada de Sintra

A construção do complexo oficinal de Vila Verde, num investimento de 2,2 milhões de euros, permitirá melhorar condições dos trabalhadores municipais de Sintra e viabilizar uma urbanização à entrada da vila, no Lourel, informou hoje fonte camarária.

A consignação da empreitada de construção do complexo oficinal de Vila Verde, na União de Freguesias de São João das Lampas e Terrugem, orçada em cerca de 2,2 milhões de euros (mais IVA), foi hoje assinada pelo presidente da autarquia de Sintra para a instalação de três divisões municipais.

"As oficinas estão no Lourel, na entrada da vila, um sítio nobre do concelho, e sem condições dignas para quem lá trabalha. O refeitório é por cima da oficina, há imensa gente a trabalhar em péssimas condições e não era possível manter a situação", explicou Basílio Horta à agência Lusa.

O espaço onde vai nascer o novo complexo oficinal, estava ocupado pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS), entretanto transferidos para um novo edifício, inaugurado há cerca de um ano, junto às oficinas entre a Portela de Sintra e Ouressa (Algueirão-Mem Martins).

A empreitada de Vila Verde, com prazo de execução de 18 meses, permitirá instalar numa área com 33.000 metros quadrados (m2), as divisões de gestão de edifícios municipais, de gestão do património municipal e de intervenção no espaço público.

O projeto prevê, com uma área edificada de 6.425 m2, a instalação de zonas de escritórios, oficinas, armazéns, parque de máquinas, estação de serviço, silos, balneários e refeitório (sem confeção de alimentos).

"As pessoas vão para Vila Verde e libertam um espaço com mais de 30.000 m2, onde vamos poder fazer uma urbanização exemplar, de grande qualidade na entrada de Sintra, com moradias, espaços verdes, para se ver o que é para a câmara o exemplo de uma urbanização de grande qualidade", adiantou o presidente da autarquia.

O espaço no Lourel, perto dos Bombeiros Voluntários de Sintra, que também permite um novo acesso já existente à Quinta da Ribafria, "será vendido com projeto aprovado para ser construído por privados", apenas com moradias, algumas geminadas, revelou Basílio Horta.

"Com essa verba e com a que se espera da venda dos terrenos do Polis do Cacém vamos estudar a requalificação de toda a zona onde está o Urbanismo, para fazer um novo edifício para concentrar todos os serviços dispersos da câmara, uma espécie de nova cidade administrativa, com uma nova Loja do Cidadão", apontou.

O autarca admitiu que "basta vender o terreno do Lourel para ter um ganho enorme, mas, neste momento, o ganho para a câmara é o bem-estar dos seus trabalhadores", que não podem continuar a laborar "em condições tão más".

"Estamos na primeira linha de conciliação entre o interesse da comunidade, que nos compete defender, e aquilo que são os interesses dos trabalhadores, que temos de ter em conta", frisou Basílio Horta.

A autarquia e os SMAS assinaram, na segunda-feira, com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, um novo Acordo Coletivo de Entidade Empregadora Pública (ACEEP) que contempla a recuperação pelos funcionários municipais, já este ano, de mais três dias de férias, consoante a avaliação de desempenho.

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