"Há consenso que o sistema de compra e venda voluntária (de terrenos) não produziu os resultados esperados, disse Geingob na abertura da Segunda Conferência de Terras da Namíbia, que começou hoje, na capital, Windhoek, e que decorre até dia 05.."O princípio das expropriações deve ser analisado cuidadosamente", acrescentou o chefe de Estado..A Namíbia foi uma colónia alemã entre 1884 e 1915, altura em que o 'apartheid' da África do Sul tomou controlo do país, até à sua independência, em 1990..O atual Governo iniciou uma política de transferência de terras assente no voluntariado dos proprietários, uma iniciativa que teve poucos efeitos..Há dois anos, as autoridades lamentaram que a maioria das terras agrícolas fosse controlada por cidadãos estrangeiros.."Estamos todos de acordo: o ritmo atual da reforma agrícola não é satisfatório" pois resulta numa "situação em que o crescimento económico e a prosperidade não são partilhados, e isso não é sustentável", afirmou o chefe de Estado..O debate volta a ser aberto na Namíbia depois de uma reforma semelhante na vizinha África do Sul, onde o Governo autorizou expropriações sem indemnização para corrigir "a injustiça histórica" do 'apartheid'..Geingob rejeitou a possibilidade de despejos forçados das terras detidas por 'brancos', como no Zimbabué, no início dos anos 2000.."Podemos recorrer aos mecanismos constitucionais para alcançar a igualdade nos terrenos", afirmou o Presidente, acrescentando que as expropriações devem ser realizadas "segundo o interesse público"..Vários líderes tradicionais, que exigem a transferência sistemática de terrenos ancestrais aos descendentes dos antigos proprietários, evitaram a conferência..De acordo com a Bloomberg, a Namíbia é um dos países com maior desigualdade económica, sendo que a maioria das empresas pertence a brancos, 6% dos seus 2,5 milhões de habitantes..O genocídio dos povos Ovaherero e Nama, entre 1904 e 1908, depois da chegada das tropas alemãs, retirou, através da força e sem compensação, as terras aos namibianos, afirmou Geingob.