Mundial2018: Atividade dos jogadores nas redes sociais acompanhada por tecnológica portuguesa

O Mundial2018 de futebol vai gerar mais de oito mil milhões de interações nas redes sociais, estima a tecnológica portuguesa Primetag, que lançou hoje em Londres uma ferramenta perceber qual o jogador ou evento com maior impacto no torneio.

A estimativa é feita com base na crescente popularidade da rede social Instagram junto dos jogadores, 88% dos quais usa este meio para comunicar com os seus adeptos, que podem "gostar" ou comentar as fotografias e notas publicadas na plataforma.

Com mais de 128 milhões de seguidores, Cristiano Ronaldo supera com grande margem Neymar ou Leonel Messi, ajudando Portugal a entrar para a lista das seleções com mais reconhecimento, seguida do Brasil, Espanha, Argentina.

Tendo em conta a atividade digital relacionada com Mundial2018, a Primetag criou uma ferramenta [research.primetag.com/2018worldcup] para medir a influência nos mais de 1,1 mil milhões de seguidores que os jogadores que vão participar no torneio possuem atualmente.

Num painel criado para este efeito, é possível perceber qual é o jogador mais popular de um certo país ou continente, bem como as mensagens que estão a gerar mais interesse ou quais as seleções mais ativas nas redes sociais.

Um contador na página contabilizou esta semana mais de 368,5 milhões de interações (gostos ou comentários) resultantes de 2.601 publicações no Instagram relacionadas com o campeonato mundial de futebol.

O internacional francês Bacary Sagna, presente no evento de lançamento em Londres, contou como os jogadores estão a usar as redes sociais para se darem a conhecer aos seus admiradores.

Através de fotografias e pequenas notas, transmitem emoções e momentos mais pessoais, como fotografias dos quartos de hotel, dos treinos ou de cenas de celebração.

"No início não dávamos grande importância, mas hoje em dia até os treinadores tiram selfies e jogadores usam telefones no campo. Querem partilhar parte da vida, é importante para manter o contacto", justificou.

No final do evento, Manuel Albuquerque, presidente executivo da Primetag, afirma que será possível saber, por exemplo, "qual o atleta que mais cresceu [na rede social Instagram] durante o Mundial e associar isso a um evento em particular", como foi o golo decisivo marcado por o Éder na final do Europeu2016.

"Vamos saber se qual foi o impacto na rede social, quanto cresceu e saber se isto tem impacto também nos patrocínios dele", referiu à agência Lusa em Londres.

A Primetag foi lançada em 2015 com o objetivo de monitorizar a influência de marcas ou influenciadores em áreas como a moda e beleza, viagens, tecnologia, jogos, desporto ou comida, trabalhando com empresas como Unilever, Procter and Gamble, Sonae, Ikea ou TAP.

No ano passado conseguiu atrair um investimento de 1,3 milhões de euros da portuguesa Parthena Investments e fechou o ano com um volume de negócios de milhão de euros.

Em 2018, a previsão é que a faturação cresça 70% para 1,7 milhões de euros graças a uma maior atividade a nível internacional para além do Brasil e Espanha.

"Portugal é excelente incubadora, mas a nível de adesão, é difícil, a decisão demora muito tempo. Em Espanha, França ou Inglaterra é mais rápido, há mais dinheiro e mais oportunidades", afirmou o responsável.

Esta ferramenta criada para acompanhar o Mundial2018 "é um trampolim para outros mercados", assume Albuquerque, que referiu o interesse de equipas de futebol nacionais e estrangeiras em usarem a plataforma da Primetag.

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.