Modelos numéricos criados no Porto preveem efeito das cheias nos rios Douro e Minho

Investigadores do Porto desenvolveram modelos numéricos específicos para os rios Douro e Minho, que permitem prever o efeito de cheias e antecipar as consequências das alterações climáticas nas suas dinâmicas, como é o aumento do nível do mar.

Através destes modelos numéricos é possível calcular o comportamento dos estuários, relativamente à velocidade da corrente e às marés, bem como a influência do caudal procedente da barragem de Crestuma-Lever (no Douro), disse à Lusa a investigadora Isabel Iglesias, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), entidade responsável pelo projeto.

Estes modelos permitem igualmente construir mapas de transporte e dispersão de contaminantes ao longo dos estuários e destes para o mar, assim como identificar "áreas mais vulneráveis, suscetíveis de serem afetadas por exemplo por um derrame acidental de petróleo", contou.

Desenvolvidos no âmbito da linha Ecoservices do projeto Innovmar, os modelos possibilitam, ainda, reproduzir fenómenos naturais e estudar cenários potenciais, antecipando os efeitos de situações extremas ou de ações antrópicas na circulação oceânica.

Nos primeiros trabalhos, a equipa estudou o efeito que a atual configuração da restinga do rio Douro teria caso se verificassem novamente cheias com caudais semelhantes aos que ocorreram, por exemplo, em 1962 e 2001, esta última aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, "causando graves estragos materiais e desalojando os habitantes das zonas ribeirinhas".

A investigadora explicou que, com o aumento da área e do volume da restinga do rio, originado pela construção dos quebra-mares (estruturas que estabilizam o canal de navegação do estuário), prevê-se que os efeitos nas margens sejam mais gravosos em casos de cheias extremas, devido ao constrangimento do escoamento e consequente aumento do nível de elevação da água.

No caso do estuário do rio Minho, o modelo permite representar a sua dinâmica e ajudar a compreender os problemas de assoreamento (acumulação de sedimentos no leito dos rios), associados às baixas velocidades das correntes, bem como avaliar as intervenções necessárias à manutenção da navegabilidade.

De acordo com Isabel Iglesias, os modelos numéricos são amplamente utilizados em oceanografia para a representação de fenómenos relacionados com a dinâmica e as características físicas e biológicas do oceano, da costa e dos estuários.

Os modelos criados pelo CIIMAR constituem "uma ferramenta muito útil para a preservação" dos estuários dos rios Douro e Minho, este último pertencente à Rede Natura 2000 e catalogado como Zona de Proteção Especial para as Aves.

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