O caso, apoiado por organizações judiciais e de direitos humanos, constituiu um desafio direto ao contestado acordo da Itália com a Líbia em 2017, que reduziu substancialmente o número de requerentes de asilo que tentavam alcançar a Europa. .Em conferência de imprensa, os apoiantes do caso referiram hoje que esta decisão política -- que envolve fundos europeus no treino e equipamento da guarda costeira líbia para o patrulhamento das suas costas e a interceção de migrantes --, submeteu os potenciais refugiados à escravatura, tortura e outros tratamentos degradantes e inumanos, quando foram forçados a regressar à Líbia. .Os 70 nigerianos envolvidos neste processo argumentam que a Itália foi responsável pelos abusos, ao manter um "controlo efetivo" sobre os socorristas líbios através do seu centro de coordenação da guarda costeira em Roma e dos navios da marinha italiana fundeados ao largo de Tripoli e que coordenam localmente as operações de salvamento. .Referem que a Itália é também responsável pelos abusos pelo facto de as violentas condições nos centros de detenção líbios, onde os migrantes eram colocados após o seu regresso, serem bem conhecidas e estarem documentadas. .A Itália defendeu o seu apoio à guarda costeira líbia e considerou um sucesso o seu acordo em 2017 com o primeiro-ministro líbio apoiado pela ONU, Fayez Serraj, ao argumentar a nível oficial que foram salvas muitas vidas, também pelo facto de muitos migrantes terem evitado os traficantes e as suas embarcações muito deficientes. .De acordo com o ministério do Interior italiano, esta política implicou que 6.731 migrantes tenham chegado à Europa em 2018, uma queda de 84% em comparação com 2017 e de 78% face a 2016. .No entanto, as organizações de direitos humanos consideram que, devido a esta política, a Itália está a evitar as suas responsabilidades internacionais nas operações de salvamento aos migrantes no mar e em garantir a sua segurança. .O caso reporta-se a 06 de novembro, quando uma embarcação com 130 migrantes, na maioria nigerianos, naufragou junto à costa da Líbia. A guarda costeira líbia, a bordo do navio Ras Jadir fornecido pelos italianos, chegou ao local primeiro, mas o grupo humanitário alemão Sea Watch 3 também respondeu ao apelo e salvou 59 pessoas, que evitaram ser enviadas para a Líbia. Cerca de 20 pessoas morreram afogadas neste acidente.