Migrações: Macron assume papel de "principal adversário" a Orban e Salvini

O Presidente francês, Emmanuel Macron, assumiu hoje, quando se aproximam as eleições europeias, o papel de "principal adversário" aos "nacionalistas" que lhe foi atribuído pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, que o apontou como líder dos "partidos pró-migrantes".
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Após vários meses de críticas indiretas, as acusações entre dirigentes da União Europeia são agora frontais.

Emmanuel Macron foi claramente tomado como alvo na terça-feira pelos dois principais partidários da linha dura contra os migrantes que se reuniram em Milão: Viktor Orban e Matteo Salvini, o vice-primeiro-ministro e ministro do Interior italiano que é considerado o homem forte do executivo liderado por Giuseppe Conte.

"Existem atualmente dois lados na Europa e um deles é liderado por Macron. Ele encabeça as forças políticas que apoiam a imigração", afirmou o chefe do Governo húngaro.

"Do outro lado, estamos nós, que queremos acabar com a imigração ilegal", acrescentou.

Confrontado com estas declarações, Macron respondeu hoje: "Se eles queriam apontar-me como o seu principal adversário, têm razão".

"Não cederei nada aos nacionalistas e àqueles que defendem esse discurso de ódio", acrescentou o chefe de Estado francês em Copenhaga, no segundo dia da sua visita à Dinamarca.

Segundo Macron, "está a estruturar-se uma oposição forte entre nacionalistas e progressistas" na Europa.

Essa oposição centra-se, neste momento, na questão dos migrantes, que se tornou o principal cavalo de batalha de Matteo Salvini desde a chegada ao poder do primeiro Governo populista em Itália, um dos países fundadores da União Europeia.

As duas partes têm, no entanto, um ponto em comum: querem fazer desta questão um marco nas eleições europeias.

O Presidente francês enfrentará também a intenção de um dos seus principais opositores, o líder da França Insubmissa (extrema-esquerda), Jean-Luc Mélenchon, de transformar o escrutínio num "referendo anti-Macron".

O ministro do Interior italiano, insistindo em que o seu país não será "o campo de refugiados da Europa", forma uma frente comum com Viktor Orban para as europeias de maio de 2019.

"Estamos a concentrar-nos num eixo, veremos o que será possível fazer em conjunto. Estamos todos a trabalhar para a construção de uma outra Europa", declarou Salvini na terça-feira.

Ao mesmo tempo, Emmanuel Macron procura aliados dentro da União Europeia (UE) para constituir um "arco progressista", um dos objetivos da sua visita à Dinamarca e à Finlândia até quinta-feira.

"Os extremos cresceram e os nacionalismos despertaram. É uma razão para desistir? Com certeza que não. De facto, é preciso redobrar os esforços", sustentou Macron na segunda-feira, ao apresentar o seu programa diplomático aos embaixadores franceses, advertindo de que esse combate, que "acabou de começou", será "longo e difícil".

Em Copenhaga, o chefe de Estado francês insistiu na "seriedade" e no "espírito de responsabilidade" que são necessários "para lidar com" a questão das migrações "em profundidade" e "permanecendo fiéis aos valores" europeus.

"Ora, não é isso que Orban e Salvini propõem", observou.

Para Macron, estes últimos são "oportunistas" da Europa que beneficiam dos seus subsídios mas rejeitam as obrigações.

"Os "xenófobos não trazem qualquer solução para o mal que denunciam", acusou.

O diálogo anuncia-se tenso no próximo encontro dos dirigentes europeus, que se reunirão a 20 de setembro em Salzburgo para um conselho informal parcialmente dedicado à questão dos migrantes.

Na sua última cimeira, em junho, chegaram a acordo para promover a criação de "centros controlados" em território da UE e "plataformas regionais de desembarque" na bacia mediterrânica.

Roma subiu de tom na semana passada ameaçando parar de contribuir para o orçamento da UE se não for encontrada uma solução para resolver a situação do "Diciotti", um navio retido no porto de Catânia, na Sicília, com cerca de 150 pessoas socorridas no mar a bordo.

Os migrantes acabaram por desembarcar na madrugada de domingo, na sequência de um acordo entre a Igreja italiana, a da Albânia e a da Irlanda para dividirem entre si o apoio a dar-lhes.

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