Manuel Caldeira finalista em prémio de arte contemporânea galês MOSTYN Open 20

O português Manuel Caldeira é um dos 27 finalistas do prémio MOSTYN Open 20, promovido pelo mais importante museu de arte contemporânea do País de Gales e que atribui cerca de 12 mil euros ao vencedor.

Manuel Caldeira, de 38 anos, foi selecionado entre mais de 600 candidatos ao prémio e terá o seu trabalho exposto no museu situado na cidade de Llandudno entre 07 de julho e 05 de novembro.

"O prémio é secundário. Penso mais na exposição, que fica num edifício lindíssimo vitoriano que já visitei", disse o artista à agência Lusa.

Formado em desenho e pintura no Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, Manuel Caldeira propôs vários quadros, bem como duas esculturas, uma das quais, chamada "Circuito", acabou ser selecionada.

A peça é feita em cobre, mas tem aplicações de tecidos coloridos, sendo uma continuação de um trabalho que já tinha desenvolvido para o prémio EDP Novos Artistas, do qual foi finalista em 2015.

"As minhas esculturas são mais orgânicas, podem evocar a figura, mas têm um lado muito aberto porque são muito abstratas", descreveu.

A candidatura, vincou, foi motivada pelo prestígio do prémio e do júri, que inclui o diretor do MOSTYN, Alfredo Cramerotti, e o responsável pelo Programa de Artes Visuais, Adam Carr, a diretora da programação da Galeria Whitechapel, Lydia Yee, e a programadora e diretora do Instituto de Arte, Academia de Artes e Design da FHNW, Basiléia, Chus Martínez.

Criado em 1989, o prémio MOSTYN Open, atualmente na 20.ª edição, é aberto a artistas ou coletivos de qualquer país ou idade e a disciplinas incluem que vão desde as belas artes, como pintura e escultura, a design, vídeo, moda ou comunicação gráfica.

Os restantes finalistas são Sarah Bernhardt, David Berweger, Rudi Bogaerts, John Bourne, Alex Edwards, Matteo Fato, Joe Fletcher Orr, David Garner, Mitchell Kehe, Eli Keszler, Ilona Kiss, Jadranka Kosorcic, Catherine Large, Alyona Larionova, Sophie Lee, Gal Leshem, Jessica Lloyd-Jones, Laura Malacart, Oliver McConnie, Tom Milnes, Yelena Popova, Louise Short, Andrew Stooke, Tom Verity, Gernot Wieland e Driant Zeneli.

"Agrada-me estar no meio de selecionados de nome com alguma importância", comentou Manuel Caldeira, que espera ganhar alguma visibilidade e projeção com esta exposição internacional.

O vencedor do prémio de 10.000 libras (cerca de 12.000 euros), no dia da abertura da exposição coletiva dos finalistas, que este ano representam países como Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Suíça, China, Austrália, EUA e Reino Unido.

Um prémio de 1.000 libras (cerca de 1.200 euros) será atribuído à obra que receber mais votos dos visitantes, e só será conhecido no final da exposição.

Os portugueses Carlos Noronha Feio e Maria Ana Vasco Costa foram finalistas deste prémio em 2015.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.