Manifestação em Beja exige mais enfermeiros no Baixo Alentejo

Vários enfermeiros fizeram hoje greve e manifestaram-se em frente ao hospital de Beja para exigirem a contratação de mais enfermeiros na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), onde há uma "carência muito gravosa".

O protesto, convocado pela Direção Regional do Alentejo do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), juntou 15 enfermeiros da ULSBA, que durante duas horas fizeram greve e concentram-se em frente ao hospital de Beja, empunhando cartazes com "palavras de ordem".

A greve e a manifestação serviram para "contestar a carência de enfermeiros que já atingiu uma proporção muito gravosa em toda a ULSBA", que gere o hospital de Beja e 13 dos 14 centros de saúde do distrito de Beja, à exceção do de Odemira, disse à agência Lusa o coordenador da Direção Regional do Alentejo e dirigente nacional do SEP, Edgar Santos.

Segundo o sindicalista, que é enfermeiro no hospital de Beja, "a carência está a sobrecarregar de trabalho e a levar os enfermeiros à exaustação e a pôr em causa a qualidade dos serviços de enfermagem prestados aos utentes da ULSBA".

A carência "agravou-se" quando o horário semanal dos enfermeiros em funções públicas passou das 40 para as 35 horas, sem que tenham sido contratados os profissionais necessários", explicou.

"E vai agravar-se ainda mais e significativamente, a partir do dia 01 de julho", quando o horário semanal dos enfermeiros a contrato individual de trabalho, que são "a maioria na ULSBA", também passar das atuais 40 para 35 horas e "sem que esteja prevista contratação de mais profissionais", alertou.

Por outro lado, "em alguns turnos, as horas de trabalho extraordinário não são pagas" e, por isso, "os enfermeiros estão a acumular horas extraordinárias não pagas e a dívida que a ULSBA tem para com eles já é grande e está a aumentar".

O protesto serviu ainda para contestar o facto de "a ULSBA, no pagamento do trabalho noturno, discriminar, em duas horas, os enfermeiros a contrato individual de trabalho em relação aos enfermeiros em funções públicas", disse.

Segundo Edgar Santos, "a ULSBA é a única unidade local de saúde do país que só paga trabalho noturno aos enfermeiros a contrato individual de trabalho a partir das 22:00", sendo que aos enfermeiros em funções públicas "paga a partir das 20:00".

"A ULSBA descrimina os enfermeiros a contrato individual de trabalho no pagamento do trabalho noturno" e "aumenta a dívida da ULSBA para com os enfermeiros" eram as frases que se liam nos cartazes empunhados por enfermeiros na manifestação.

Um dos manifestantes, Luís Fresco, de 38 anos, que é enfermeiro no Centro de Saúde de Vidigueira, a contrato individual de trabalho, justificou a sua presença no protesto "em defesa dos direitos e interesses dos enfermeiros da ULSBA, que estão sob ataque e de várias formas".

"Escassez de enfermeiros nos serviços que provoca excesso de trabalho e afeta a qualidade dos cuidados prestados aos utentes, não pagamento de horas extraordinárias, discriminação dos enfermeiros a contrato individual de trabalho em relação aos colegas em funções públicas e o congelamento das carreiras há anos" são as "formas de ataque" enumeradas por Luís Fresco.

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