Leitores das universidades portuguesas exigem integração nos quadros

Um grupo de leitores das universidades portuguesas exigiu hoje a integração nos quadros, numa iniciativa promovida pela Federação Nacional dos Professores, segundo a qual solução para acabar com a precariedade que afeta 50 docentes não teria impacto orçamental.

De acordo com a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), há cerca de 150 leitores a nível nacional e deveriam já ter sido integrados 50 profissionais que se mantêm a contrato, alguns com 30 anos de serviço.

Junto ao ministério do Ensino Superior, em Lisboa, os docentes aprovaram uma resolução em que criticam o atraso na resolução do problema e explicam que para evitar perder o emprego tiveram de aceitar contratos a tempo parcial ou passar ao estatuto de professor convidado.

Alguns tiveram de mudar de instituição, outros mantêm-se no mesmo local, com sucessivos contratos anuais.

Junto aos professores, que lecionam em cursos de línguas, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, defendeu ser este o momento para insistir numa questão que quer ver resolvida no âmbito do Orçamento do Estado para 2018.

"Se deixarmos ficar para 2019, acaba a legislatura e fica tudo na mesma", disse junto ao grupo de leitores que exibia uma faixa com a inscrição "Contratados a Termo do Ensino Superior. Contra a Precariedade".

Eulalie Pereira, uma das leitoras que participou no protesto, tem 55 anos, está desde 1993 na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra a lecionar língua francesa na licenciatura de Línguas Modernas e tradução no mestrado de Tradução.

São 12 horas por semana no âmbito de um contrato integral com dedicação exclusiva. Tem dupla nacionalidade, dois filhos e uma vida de "grande incerteza", devido às renovações anuais do contrato a que está sujeita.

À Lusa contou que se conseguir a integração no quadro faz "uma festa".

"É uma garantia, para mim e para os meus filhos, de que vou ter trabalho até ir para a reforma", afirmou, explicando que a integração não acarreta mais dinheiro, nem mudança de categoria profissional.

Estes professores não estão abrangidos pelo Estatuto da Carreira Docente (ECD), pelo que a federação sindical tem procurado uma solução que permita a sua integração junto da tutela.

Ao lado, um colega que deixou a Grã-Bretanha em 1985 para se instalar em Portugal, onde casou com uma portuguesa, teve dois filhos e comprou casa.

"Mais precário não podia ser. Há 32 anos!", disse à Lusa John H., 58 anos, quando questionado sobre a sua situação.

Dá aulas de tradução, escrita criativa, estudos canadianos e língua inglesa na Universidade de Coimbra, também regime de exclusividade, com contratos sucessivamente renovados.

Não tenciona sair de Portugal: "Toda a minha vida está aqui".

O ministro, Manuel Heitor, disponibilizou-se para receber uma delegação dos manifestantes que hoje se concentraram em silêncio junto ao Palácio das Laranjeiras, no final da reunião semanal do Conselho de Ministros.

Segundo Mário Nogueira, existe vontade para resolver a questão no âmbito da tutela, mas tem havido oposição do Ministério das Finanças.

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