Justiça da Guiné Equatorial formaliza acusação a 135 opositores

A justiça da Guiné Equatorial formalizou as acusações, sem as divulgar, a 135 militantes da oposição equato-guineense e decidiu mantê-los detidos na prisão de Evinayong (centro sul do país), disse hoje o advogado de defesa dos presos.

"Estão em causa 135 opositores, militantes do partido Cidadãos para a Inovação (CI), que continuam detidos em Evinayong. As acusações de que são alvo só serão reveladas durante o julgamento", disse Fabien Nsue Nguema, citado pela agência noticiosa France Presse (AFP).

A data do julgamento não foi divulgada.

Hoje, numa entrevista à Rádio France Internationale (RFI) e à cadeia de televisão France 24, o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, disse que as autoridades tinham detido "uma vintena" de opositores.

Segundo o CI, porém, são mais de 200 os militantes do partido que estão atualmente presos sem motivo, após terem sido detidos nas capitais política, Malabo, e económica, Bata, durante os protestos que ocorreram depois das eleições gerais de 12 de novembro.

Segundo os resultados da votação, o Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE, no poder e liderado por Obiang Nguema) elegeu 99 dos 100 deputados, enquanto o CI elegeu apenas um, que está também detido.

Fontes citadas pela AFP indicaram que a detenção de militantes do CI está ligada aos confrontos registados a 05 de novembro, durante a campanha eleitoral, que opuseram as forças de segurança e simpatizantes do partido oposicionista na localidade de Aconibe, depois de a política ter proibido um comício da oposição.

Aconibe, no centro sul da parte continental do país, é a terra natal do líder do CI, Gabriel Nse Obiang Obono.

A 15 deste mês, o CI denunciou que um dos seus militantes detidos, Santiago Ebee Ela, morreu numa prisão do comissariado central de Malabo, na sequência de maus tratos e de tortura, acusação que não foi confirmada oficialmente nem divulgada na imprensa local.

A Espanha, antiga potência colonial, manifestou consternação e exigiu a "abertura imediata" de uma investigação.

A Guiné Equatorial é membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014.

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