Jovens galerias de arte procuram afirmar-se com presença na ARCOlisboa

As jovens galerias de arte contemporânea portuguesas e estrangeiras que participam este ano na Feira Internacional ARCOlisboa estão expectantes com os visitantes e com a possibilidade de se afirmarem no mercado, bem como os artistas que vão mostrar.

Nesta terceira edição, a ARCOlisboa reserva, pela segunda vez, um espaço especial - o 'Opening' - para este tipo de galerias emergentes, com 12 propostas.

A Balcony, de Lisboa, estará presente pela primeira vez no certame, que hoje tem inauguração oficial, e o galerista Pedro Magalhães tem boas expetativas, embora, como disse à Lusa, goste de se colocar numa postura "com uma boa dose de realismo".

"Temos apenas sete meses de vida. Somos um projeto novo, que precisa de alguma legitimação, embora já tenhamos estado presentes numa feira em São Paulo, no Brasil, que correu bastante bem", apontou.

Para a feira, apostou numa dupla de artistas com cerca de 30 anos: o português Tiago Alexandre, que estará representado com uma escultura e uma instalação, composição que já foi mostrada numa exposição do Atelier-Museu Júlio Pomar, a convite da diretora do museu, Sara Antónia Matos; e o português de origem russa Nikolai Nekh, que traz fotografia e instalação.

"Do ponto de vista da aceitação, a nossa galeria está a chamar a atenção. Esta feira é uma oportunidade para validar a nossa posição", salientou.

No espaço da Cordoaria Nacional, ultimam-se os preparativos para a inauguração, pelas 19:00, com os galeristas e as suas equipas a terminar a colocação das peças.

Da Holanda, Dürst Britt & Mayhew participa na ARCOlisboa pela segunda vez, portanto, com uma experiência passada para contar o que a fez regressar.

"No ano passado viemos com três artistas e correu bem, fizemos vendas", disse à agência Lusa Alexander Mayhew, da galeria com sede em Haia.

Este ano traz mais três artistas, dois holandeses e um mexicano: Paul Beumer, holandês que reside em Taiwan, que criou tecidos pintados, resultado das suas explorações sobre os limites da pintura; Puck Verkade, uma artista holandesa que reside em Londres e que criou duas obras suspensas com as palavras "Priviledge" e "Entitled", inspiradas nos colares usados por adolescentes de baixas classes sociais.

O terceiro artista é o mexicano Raul Ortega Ayala, que apresenta duas pinturas inspiradas no tema da relação que os seres humanos têm com a comida.

Para Alexander Mayhew, a vantagem de estar na ARCOlisboa tem a ver com o tipo de visitantes da feira, "mais interessados em conversar, e fazer perguntas sobre a galeria e os artistas, do que nas outras feiras de maiores dimensões".

Também o preço do 'stand', "mais acessível para as galerias mais jovens", foi um atrativo: "É importante estar nas feiras de arte contemporânea porque as galerias têm poucos visitantes. Queremos mostrar novos artistas e esta é uma oportunidade de validá-los", justificou à Lusa o galerista holandês.

Na secção 'Opening' - com comissariado de João Laia - estão também as galerias BomBon (Barcelona), BWA Warzawa (Varsóvia), Copperfield (Londres), Francisco Fino (Lisboa), Hawaii (Lisboa), House of Egorn (Berlim), Madragoa (Lisboa), Pedro Alfacinha (Lisboa), Rolando Anselmi (Berlim/Roma) e Uma Lalik (Lisboa).

Em declarações à agência Lusa, João Laia indicou que nesta secção estiveram oito galerias no ano passado, metade portuguesas e metade estrangeiras, proporção que se repete este ano, mas com um total de 12 galerias, cujo único critério formal é terem menos de sete anos de vida.

"O 'Opening' abriu o ano passado em Lisboa para acolher as novas galerias que surgiram em Lisboa", justificou, acrescentando que este ano, o projeto "é mais autónomo".

Questionado sobre a abertura de várias novas galerias de arte na capital, João Laia vê este fenómeno como "um reflexo da pujança que Lisboa está a ganhar".

"A ARCO é um motor e acaba por ser uma plataforma para a projeção destas galerias. Artistas interessantes já existiam em Lisboa. Agora há um interesse de instituições e curadores estrangeiros que não existia anteriormente", avaliou.

A terceira edição da ARCOlisboa - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa é inaugurada hoje, às 19:00, na Cordoaria Nacional, com 72 galerias oriundas de 14 países, sendo que 27 são portuguesas.

A ARCOLisboa 2018 está aberta ao público entre quinta-feira a sábado, das 14:00 às 21:00, e, no último dia, domingo, das 12:00 às 18:00.

Hoje, a inauguração oficial decorre a partir das 19:00, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do ministro da Cultura, Luis Filipe Castro Mendes, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, do presidente do Comité Executivo da IFEMA (Feria de Madrid), Clemente Gónzalez Soler, e do diretor da feira, Carlos Urroz.

Ler mais

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.