Investigadores identificam genes que controlam cores brilhantes das lagartixas

Uma equipa internacional de investigadores, em colaboração com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), no Porto, identificou os genes que controlam as cores brilhantes das lagartixas, revelou hoje o centro em comunicado.
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Segundo o CIBIO-InBIO, o estudo, publicado hoje na revista 'PNAS', revelou que os genomas das lagartixas-dos-muros ('Podarcis muralis'), com diferentes cores, são "virtualmente idênticos com exceção de dois genes", denominados SPR e BCO2.

Esta é a primeira vez que os dois genes, envolvidos na produção de dois tipos de pigmentos (as pterinas e os carotenoides) são associados à pigmentação destes répteis.

A investigação, que contou com a colaboração de membros da Uppsala University, na Suécia, recorreu à sequenciação de genes de lagartixas e a análises bioquímicas.

Em comunicado, o centro de investigação acrescenta que foram estas metodologias que permitiram à equipa verificar que "as sequências de ADN associadas às diferentes cores das lagartixas são extremamente divergentes" e partilhadas entre espécies de lagartos da região mediterrânea.

"O artigo agora publicado demonstra que as tonalidades laranjas e avermelhadas estão associadas ao gene SPR, um gene vital na via metabólica das pterinas, enquanto que as tonalidades amarelas são explicadas pelo gene BCO2, envolvido no metabolismo dos carotenoides", salienta a instituição.

O primeiro autor do artigo e investigador do CIBIO-InBIO, Pedro Andrade, citado no comunicado, afirma que processos como a seleção natural e a hibridação também "contribuem para a evolução do padrão de cores nestes répteis e para a sua variação nas populações".

Já Catarina Pinho, também autora do artigo e investigadora no CIBIO-InBIO, citada no documento, salienta que os genes de pigmentação, "em particular o gene SPR, podem levar a diferenças no funcionamento do cérebro", explicando assim as diferenças de comportamento entre lagartos de diferentes cores.

O CIBIO-InBIO acrescenta que a equipa de investigadores espera, tendo em conta os resultados obtidos, indicar o "caminho para futuros estudos sobre a origem das cores em diferentes organismos".

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