Internistas e médicos de família unem-se contra medidas como novas especialidades

Os internistas e os médicos de família vão assinar um memorando de entendimento em que espelham algumas posições que os unem, como a oposição contra a criação de novas especialidades e a municipalização dos cuidados de saúde.

O memorando vai ser assinado quarta-feira entre a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e envolve áreas como a formação, a referenciação, a promoção da saúde e a prevenção das doenças, as normas de orientação clínica e a investigação, entre outras.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da SPMI, Luís Campos, deu o exemplo de algumas medidas concertadas entre a medicina interna e a medicina geral e familiar, como a oposição contra a criação de novas especialidades.

Numa altura em que são conhecidas ambições dos cuidados paliativos, da geriatria e da emergência para obterem a classificação de especialidade, Luís Campos alertou que mais especialidades irão agravar ainda mais a fragmentação das áreas.

"Deve haver áreas de competência, mas não novas especialidades", referiu.

As duas organizações também estão contra a potencialização da municipalização dos cuidados primários.

"Significa o fim do SNS. É fragmentar e dividir mais o que já é difícil e precisa de ser integrado", disse.

Desta iniciativa entre a SPMI e a SPMGF irá sair um grupo de trabalho conjunto que irá fazer propostas sobre a gestão do doente agudo, estando prevista a apresentação de recomendações até ao fim do primeiro semestre do ano.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

"Corta!", dizem os Diáconos Remédios da vida

É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).

Premium

Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O voluntariado

A voracidade das transformações que as sociedades têm sofrido nos últimos anos exigiu ao legislador que as fosse acompanhando por via de várias alterações profundas à respetiva legislação. Mas há áreas e matérias em que o legislador não o fez e o respetivo enquadramento legal está manifestamente desfasado da realidade atual. Uma dessas áreas é a do voluntariado. A lei publicada em 1998 é a mesma ao longo destes 20 anos, estando assim obsoleta perante a realidade atual.