Interatividade destaca-se nas obras dos finalistas do Prémio Sonae Media Art

A interatividade percorre a maioria das obras dos cinco finalistas do Prémio Sonae Media Art 2017, André Martins, André Sier, Nuno Lacerda, Rodrigo Gomes e Sofia Caetano, em exposição a partir de hoje no Museu do Chiado, em Lisboa.

As obras inéditas foram apresentadas hoje aos jornalistas, ao fim da manhã, numa visita guiada com a presença de todos os finalistas, que concorrem ao galardão no valor de 40 mil euros.

Nesta segunda edição, de um universo inicial de 147 candidaturas recebidas, foram validadas 123 e escolhidos os cinco finalistas, cujo anúncio foi feito em fevereiro deste ano, estando previsto o anúncio do vencedor para 06 de dezembro.

A interatividade é uma das marcas que se destaca na maioria dos trabalhos dos jovens artistas - que receberam uma bolsa de 5.000 euros para criar novas obras - concebendo peças para os espetadores manipularem.

É o caso de André Sier, que apresentou "Wolfanddotcom", na descrição do artista, "um vídeo jogo ambiente inspirado num futuro distópico onde não existem pessoas, restando apenas animais".

André Sier, nascido em 1977, é artista programador, com formação em ciências e artes, licenciatura em filosofia, e trabalha com vídeo, som, eletrónica, desenho, escultura e vídeojogos, desde 1997, contando com mais de 25 exposições individuais e 80 participações em exposições coletivas, festivais e eventos artísticos.

Trata-se de um jogo interativo no qual os visitantes podem jogar sentando-se em cima de esculturas eletrónicas de lobos que funciona com o uma cadeira com 'joystick' nas orelhas do animal instalado frente a painéis que comunicam entre si para competir no jogo ou cooperar.

Questionado pela agência Lusa sobre o porquê da escolha do lobo, André Sier explicou que "este animal tem um papel essencial em termos mitológicos e, como grande predador das florestas, tem um papel muito exploratório que serviu bem para o propósito do jogo".

Também Nuno Lacerda, que apresenta "Samarra", uma instalação interativa com rato ótico e projeção de vídeo HD e som estéreo.

"O meu trabalho é uma colagem de vários vídeos que podem ser acionados pelo espetador, convidado a explorar as imagens numa lógica de interação que atribui um significado pessoa", disse aos jornalistas.

Nuno Lacerda, nascido em 1983, vive e trabalha em Lisboa, é licenciado em Artes Plásticas - Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, tem formação em banda desenhada pelo CITEN - Centro de Arte Moderna José Azeredo de Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian, e formação em representação teatral pela Casa de Teatro de Sintra.

De acordo com o artista, a obra "é um repositório de recordações pessoais entre a vida e a morte", e acolhe elementos da praia com o mesmo nome, perto da qual vive a avó, e o quintal da casa dos pais, onde filmou uma palmeira.

Também a obra da finalista Sofia Caetano, intitulada "God", uma instalação multimédia composta por fotografias, uma torre e retroprojeções em vídeo a partir de digitalização de filmes, é essencialmente manipulada pelo espetador.

"A minha obra recria o cenário e ambiente de uma nave espacial onde o visitante entra e aciona de imediato luzes, deparando-se ao fundo com uma estrutura para tocar e visualizar filmes educativos dos anos 1960 e 1970", indicou.

Sofia Caetano, nascida em 1987, é açoriana, e vive e leciona em Boston, nos EUA. Licenciou-se em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, tendo estudado também Media Art no Emerson College.

"O meu objetivo é fazer com que o espetador se depare com as questões da história da Humanidade, sobre o que é o velho e o novo, as tecnologias, e como convivem com a espiritualidade", apontou.

André Martins, por seu turno, apresenta "Memorial Feed", uma projeção em vídeo de um projeto 'online', em constante atualização das contas 'memorializadas' existentes na rede social Facebook.

"Criei esta obra com base nas contas de pessoas que já faleceram mas cuja informação ainda continua disponível no Facebook", indicou, acrescentando que o processo é realizado através de um robot que procura aquelas contas.

André Martins, nascido em 1994, vive e trabalha em Lisboa, e está a concluir a licenciatura em Arte Multimédia na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Qualquer pessoa pode ter acesso ao trabalho através do endereço www.memorialfeed.com.

"Este é um cemitério fora do comum, que pode ser partilhado por todos os interessados", comentou o artista que se interessa pela captura da presença humana nas redes digitais.

Rodrigo Gomes, por seu turno, criou "Estivador de Imagens", uma escultura audiovisual composta por espelhos, tubos em acrílico, som espacializado e projeção em vídeo.

O artista sublinhou que se interessa pela criação de imagens colocadas em suportes como espelhos e placas de acrílico "que criam novas dimensões".

Rodrigo Gomes, nascido em 1991, vive e trabalha em Lisboa, frequenta o mestrado de Arte Multimédia na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, e é licenciado em Escultura pela Universidade de Évora (2012-2015), e pós-graduado em Arte Sonora pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2015-2016).

Criado em 2015 para distinguir e divulgar criações artísticas na área de 'media art', o prémio envolve também uma bolsa de criação individual destinada a apresentar obras inéditas, que vão ser agora expostas no Museu do Chiado.

O Prémio Sonae Media Art dirige-se às formas de criação artística contemporânea que utilizem meios digitais e eletrónicos, nas áreas de 'vídeo arte', projetos sonoros, projetos de exploração do virtual e da interatividade, bem como propostas de 'network' (rede), em que poderão estar incorporadas outras formas de arte como a 'performance', a dança, o cinema, o teatro ou a literatura.

Na primeira edição, em 2015, a vencedora foi a artista Tatiana Macedo, com a obra "1989".

A mostra dos finalistas da segunda edição é hoje inaugurada, às 19:00, e ficará patente até 01 de abril de 2018.

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