"Impasse" vence Arouca Film Festival com memórias sobre a II Guerra Mundial

A curta-metragem "Impasse", da realizadora russa Alina Mikhailova, venceu hoje a 16.ª edição do Arouca Film Festival, pela sua abordagem a memórias relativas ao Holocausto e à II Grande Guerra na Polónia.

"O filme vencedor da Lousa de Ouro revela-nos uma memória escondida do passado século XX e da II Guerra Mundial que nos faz questionar, mais do que os dramas do passado, as motivações e as origens dos problemas que, desde sempre e até aos dias de hoje, a humanidade insiste e persiste em manter", declara à Lusa fonte do júri do festival.

A obra vencedora explora assim numa narrativa de 16 minutos algumas das situações "que condenam milhões de seres humanos à morte, à incapacidade, à miséria ou à fuga desesperada para o desconhecido".

Para João Rita, diretor do Arouca Film Festival, a aposta do júri no filme de Alina Mikhailova "deixa patente o papel do cinema enquanto gerador de sensações, de sentimentos, de impacto e de consciencialização".

A segunda principal escolha da noite recaiu sobre "Ao telefone com Deus", que, contando a história de um caso insólito em cenário rural, conseguiu para a realizadora Vera Casaca a Lousa de Prata e para o ator Ivo Canelas o prémio de Melhor Representação.

Outros filmes premiados na 16.ª edição do certame foram "We are nature", que deu ao português João Meirinhos o prémio de Melhor Documentário pela sua abordagem ao tema das alterações climáticas, e "M.A.M.O.N - Monitor Against Mexicans Over Nationwide", com que a produção uruguaio-mexicana do realizador Alejandro Damiani se destacou na categoria de Ficção, abordando com humor uma guerra futurista entre Trump e cidadãos latino-americanos.

Na realização, o vencedor de 2018 foi Luís Campos com a curta "Carga", sobre crianças de um bairro piscatório forçadas a lidar com o tráfico de droga, sendo que, na secção de Argumento, a vitória coube a "The chocolate soldier", em que o norte-americano Jackson Smith aborda uma conexão improvável entre uma refugiada judia e um soldado inimigo.

Mais premiados no Arouca Film Festival: "Tupelo", do norte-americano Bill Plympton, na categoria de Animação; "Le chat doré", da espanhola Nata Moreno, em Fotografia; "Vaso Chinês", do português Ricardo Leite, em Videoclip para a banda Prana; "Carta de Amor (ao Porto)", do também luso João Castro, em Experimental; e "Are you voleiball?", do iraniano Mohammad Bakhshi, em Montagem.

No que se refere às rubricas competitivas em estreia na edição de 2018, na de Direitos Humanos o júri distinguiu "From Hasakah with love", uma ficção de dois minutos do iraniano Mohammad Farahani, e na de Filmes de Telemóvel premiou "Sea", uma obra de 1 minuto realizada no Uzbequistão por Hristina Belousova.

Quanto ao Prémio do Público, resultante do voto de mais de 600 espectadores, foi atribuído ao filme de animação "Tempation", em que a realizadora francesa Camille Canonne relata uma perseguição a um urso que quer roubar uma cesta de piquenique.

Além das secções competitivas e da exibição de filmes paralelos, o Arouca Film Festival de 2018 promoveu também duas oficinas em escolas do 1.º e 2.º ciclos, no que mais de 63 crianças desenvolveram conhecimentos sobre "story board" e cinema documentário.

O evento inclui ainda uma masterclass que, dirigida pela atriz Laura Galvão e pelo realizador Nuno Rocha, teve como destinatários mais de 100 estudantes do 10.º ao 12.º ano de escolaridade.

"O festival está já bem enraizado na comunidade e conta com o envolvimento de vários agentes locais, regionais e nacionais, que, em conjunto, permitem a existência de um espaço capaz de proporcionar vivências marcantes a uma vila que vive e respira cinema durante quase uma semana", conclui Cátia Camisão, a programadora do festival.

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