Hotel e SPA de Alfândega da Fé passou de anos de passivos aos lucros

Um dos empreendimentos turísticos mais emblemáticos do Nordeste Transmontano, o Hotel e SPA de Alfândega da Fé, passou de 16 anos de passivos aos lucros com a mudança de gestão municipal para um privado, revelou hoje o responsável.

O empreendimento com um SPA ao ar livre no alto da Serra de Bornes, no distrito de Bragança, foi criado há 18 anos como empresa municipal, a Alfandegatur, mas apesar da procura apresentou sempre prejuízos com um passivo que ascendeu a 1,7 milhões de euros.

No final de 2015, a Câmara de Alfândega da Fé alienou o Hotel & SPA ao empresário transmontano Jorge Morais que garantiu hoje à Lusa que, nos dois anos da sua gestão, os resultados líquidos são positivos.

O empresário decidiu "assegurar aquele projeto com algo inovador" e tem em curso investimentos "na ordem dos dez milhões de euros" sem recurso a crédito, como fez questão de sublinhar.

A estratégia passa por alargar a capacidade do hotel de 25 para 60 quartos, remodelar o espaço e construir um aldeamento turístico de cinco estrelas com 17 moradias que estão a ser vendidas a empresários brasileiros.

O investimento dos compradores será o suporte financeiro de todo o empreendimento.

O empresário decidiu apostar na diáspora transmontana no Brasil e já tem em fase de contratualização sete das 17 moradias de luxo previstas, que só vão sendo construídas à medida das intenções de compra.

"O projeto está a ser movimentado com o capital dos próprios investidores. Não é o conceito tradicional de criar um projeto, plano de negócios, apresentar à banca, financiar e depois começar a pagá-lo", vincou Jorge Morais, especificando que, neste caso trabalha com o dinheiro dos investidores.

Para 2019 está previsto o início da requalificação do Hotel e SPA, com investimentos faseados para a passagem do empreendimento a cinco estrelas e criar capacidade para tornar o espaço rentável, nomeadamente passando dos atuais 25 para 60 quartos.

A intervenção é para renovar os quartos, os espaços comuns, o próprio SPA ao ar livre, a estrutura do edifício.

Este é o plano com que o empresário assegurou já estar a conseguir equilibrar as contas.

"No primeiro já tiramos a Alfandegatur do prejuízo, já apresentamos lucro. Em 2018, pelos dados que já temos, também vai dar lucro", afirmou.

Com dois anos de lucros consecutivos, em 2019, espera ser brindado com "uma candidatura ao Turismo de Portugal para apoio à requalificação do hotel e criar novas estruturas", como um projeto equestre, o salão de eventos, que é uma das grandes de receita no verão.

A Câmara de Alfândega da Fé vendeu o empreendimento municipal para reequilibrar as contas daquela que era uma das câmaras mais endividadas do país e que teve a ajuda dos programas nacionais para o saneamento financeiro.

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