Hospital da Feira com Centro de Responsabilidade Integrado contra Obesidade

O Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga, responsável pelos hospitais de Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira, abriu hoje o primeiro Centro de Responsabilidade Integral (CRI) do país focado na Obesidade.

A nova estrutura integra o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e nasce da legislação com que a respetiva Secretaria de Estado reformulou o Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade, com vista a que esse possa integrar novos procedimentos cirúrgicos e permitir aos hospitais da rede do Estado uma melhor remuneração das suas equipas internas.

"A criação dos CRI faz parte da estratégia global que temos vindo a prosseguir no sentido de devolver autonomia de gestão aos hospitais e profissionais", declarou à Lusa a secretária de Estado da Saúde, Rosa Valente de Matos.

Segundo a secretária de Estado, "já havia centros idênticos antes, mas este é o primeiro a ser criado com base nos estatutos das Entidades Públicas Empresariais do SNS e a funcionar como uma unidade de gestão intermédia entre os conselhos de administração dos hospitais e os seus médicos e restante pessoal".

Ao viabilizar uma reorganização interna do Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga, o novo CRI de Combate à Obesidade garante assim mais liberdade aos médicos para definirem os modelos de prestação de cuidados que considerem mais adequados aos seus utentes, rentabilizando a capacidade instalada no SNS e garantindo o cumprimento dos Tempos Máximos de Resposta.

Com competências próprias também ao nível do ensino, da formação e da investigação científica, o CRI é ainda descrito como "promotor da meritocracia", porque o seu formato de gestão permite à administração do hospital premiar devidamente as equipas com melhores desempenhos.

"O CRI permite aos médicos terem mais atividades dentro do hospital, o que será um trabalho adicional", referiu Rosa Valente de Matos, acrescentando que "se o trabalho é adicional, também terá que implicar um pagamento adicional e, no contrato de gestão entre o CRI e a administração do hospital, esses valores terão que ser negociados, tal como o hospital negociará o seu orçamento com o Estado".

Para o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga, Miguel Paiva, a abertura do novo CRI de Combate à Obesidade foi "um momento feliz" porque, 20 anos após o nascimento do Hospital São Sebastião, na Feira, "simboliza o retomar do espírito vanguardista e inovador de todos aqueles que contribuíram para a sua criação".

Tendo em conta que estudos recentes apontam para uma prevalência de obesidade em quase 30% da população adulta entre os 25 e os 74 anos, esse responsável considerou que o CRI é, aliás, um contributo significativo para combater "um problema de saúde pública grave, já classificado como a pandemia do século XXI".

Segundo dados da Administração Regional de Saúde do Norte, em 2017 a atividade cirúrgica do SNS no âmbito da obesidade aumentou cerca de 1,8% em relação a 2016 e mais de 4% face a 2015.

No final de junho de 2018, estavam em lista de espera no Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade cerca de 1.350 doentes, o que representa uma redução de aproximadamente 12% face aos 1.550 utentes que aguardavam por igual tipo de cirurgia no final de 2017.

Com recurso a uma equipa multidisciplinar que envolve gastrenterologistas, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, enfermeiros e cirurgiões especializados, a generalidade dos casos tratados tem confirmado a cirurgia bariátrica como a opção mais eficaz no combate à obesidade grave e às co-morbilidades associadas a essa condição, como é o caso de diabetes, dislipidemia, apneia de sono e hipertensão arterial.

Segundo a secretária de Estado da Saúde, o novo modelo de CRI pode ser implementado em qualquer hospital que manifeste interesse nisso e tenha garantida a disponibilidade dos seus profissionais para o efeito. No caso específico da unidade do Entre Douro e Vouga, administração e médicos expressaram hoje a sua intenção de aplicar esse formato intermédio de gestão também à especialidade de Otorrinolaringologia.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.