Grupo armado faz mais seis mortos e incendia aldeia no norte de Moçambique

Um novo ataque de um grupo armado no norte de Moçambique provocou seis mortos na noite de quarta-feira na aldeia de Namaluco, distrito de Quissanga, onde foram queimadas cerca de 200 casas, disseram autoridades e residentes à agência Lusa.

Entre os seis mortos, há vítimas baleadas e outras decapitadas, acrescentaram.

Há ainda dois feridos em estado grave depois de terem sido baleados.

De acordo com os relatos recolhidos pela Lusa, os habitantes começaram a fugir pelas 21:00 (menos uma hora em Lisboa) à medida que o grupo ia entrando na aldeia, provocando gritos e alvoroço na escuridão da noite.

Em Namaluco, o palco é semelhante ao de ataques anteriores: a aldeia com cerca de 1.500 a 2.000 habitantes, não tem eletricidade nem infraestruturas, é acessível através de uma estrada em terra e as casas são de construção artesanal.

As vilas sede de distrito mais próximas, Quissanga e Macomia, onde há energia e serviços, estão a algumas dezenas de quilómetros.

Os residentes dizem ter ouvido vozes dos atacantes em suali, língua falada na Tanzânia, e noutras que desconheciam.

Outras fontes locais relatam que o fogo da última noite era visível da ilha do Ibo (Quissanga é um distrito costeiro), para a qual se estarão a deslocar inúmeros habitantes da região, que tentam encontrar um local seguro.

Este é o quarto ataque a aldeias da província de Cabo Delgado, norte do país, em 12 dias, elevando para pelo menos 24 o número de habitantes mortos e 11 suspeitos abatidos.

Esta nova vaga de violência começou com incursões nas aldeias de 25 de Junho e Monjane, no distrito de Palma, a 27 de maio, provocando dez mortes por decapitação.

Um outro habitante terá sido assassinado em Muti, na quinta-feira, dia 31.

Entretanto, durante operações das autoridades com apoio da população no distrito de Palma, 11 suspeitos de pertencer aos grupos armados foram mortos: nove na sexta-feira, dia 01 de junho, e outros dois no domingo, dia 03, disseram fontes locais à Lusa.

O porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), Inácio Dina, confirmou a operação de dia 01 e referiu que essas mortes aconteceram depois de os suspeitos resistirem a uma ordem de rendição.

Entre a noite de dia 04 e a madrugada de dia 05, os agressores fizeram sete mortos ao atacar a aldeia de Naunde, distrito de Macomia, que ficou quase reduzida a cinzas com cerca de 160 casas destruídas.

A PRM referiu na terça-feira, em conferência de imprensa, que Naunde terá sido alvo dos elementos restantes do grupo que fez dez decapitações a 27 de maio.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, tem sido alvo de ataques de grupos armados desde outubro de 2017, causando um número indeterminado de mortes e deslocados.

Um estudo divulgado em maio, em Maputo, aponta a existência de redes de comércio ilegal na região e a movimentação de grupos radicais islâmicos, oriundos de países a norte, como algumas das raízes da violência.

Diversos investimentos estão a avançar na província para exploração de gás natural dentro de cinco a seis anos, no mar e em terra, com o envolvimento de algumas das grandes petrolíferas mundiais.

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