Germano Almeida espera que Prémio Camões ajude a vender melhor o novo livro

O escritor cabo-verdiano Germano Almeida disse hoje esperar que o Prémio Camões, que lhe foi atribuído há uma semana, possa ajudar a vender melhor o novo livro, "O Fiel Defunto", que lança na terça-feira, em São Vicente.

Uma semana após vencer o Prémio Camões, o mais importante galardão da literatura em língua portuguesa, Germano Almeida lança o seu 17.º livro, considerando que é uma "coincidência interessante".

O autor explicou à agência Lusa que "O Fiel Defunto" já estava para ser apresentado antes do dia 20 de maio, mas atrasou-se por causa do desembargo, nas Alfândegas de Cabo Verde.

Já que o lançamento vai acontecer agora, Germano Almeida disse esperar que o Prémio Camões possa ajudar a aumentar as vendas e fazer as pessoas falarem mais do autor e dos seus livros.

"É natural que, após vencer o Prémio Camões, suscite mais interesse das pessoas, levando-as a comprar mais livros", manifestou, em entrevista à Lusa, via telefone, a partir de São Vicente, afirmando, porém, que em Cabo Verde o aumento não deverá ser "muito significativo".

"Costumo vender à volta de cem livros nos lançamentos em São Vicente, mas espero que o Prémio Camões potencie as vendas", prosseguiu, adiantando que poderão ser maiores na cidade da Praia, onde o lançamento deverá ser só em julho.

"O Fiel Defunto", o novo livro, porém, estará à venda na terça-feira.

Assumidamente um "contador de histórias", Germano Almeida considera "O Fiel Defunto" - que diz ser uma "paródia" em que "brinca" com a literatura - o seu "primeiro romance", embora títulos como "O Testamento do Senhor Nepomuceno" e "Os Dois Irmãos" tenham sido classificados como tal, em diferentes edições.

"Sempre [me] defini como contador de histórias, mas, pela riqueza do pormenor que o livro ['O Fiel Defunto'] tem, é capaz de ser um romance e não apenas 'contar história'", notou.

"É uma história que se passa em São Vicente, uma história um bocadinho maluca, de um fulano que dizia que era um escritor compulsivo. Deixou de escrever durante alguns anos, e toda a gente protestava. Ele recomeçou a escrever e [então] anuncia que vai publicar um romance. Todo o mundo fica contente. E no dia do lançamento do livro, ele é morto por um amigo, com dois tiros", resumiu.

A razão da morte do escritor, prosseguiu, ficou-se por saber, e o funeral transformou-se "num Carnaval", com a multidão que enchia o auditório, onde o livro estava a ser apresentado.

"É sobretudo brincar com a literatura, que deve ser uma forma lúdica. Acho piada os escritores que se torturam para escrever. Se não tenho nada para escrever não escrevo. Não tenho angústias existenciais", salientou o Prémio Camões, à Lusa.

O lançamento de "O Fiel Defunto" vai ser feito na ilha de São Vicente, com apresentação do professor e escritor cabo-verdiano Manuel Brito-Semedo.

Quanto ao lançamento em Portugal, Germano Almeida disse à Lusa que ainda está a ser programado com a editora, mas garantiu que, além de Lisboa, "O Fiel Defunto" será apresentado noutras cidades.

Em Portugal, "O Fiel Defunto" será editado pela Caminho, do grupo Leya, à semelhança dos outros títulos do escritor. O romance encontra-se em "pré-lançamento", nas lojas 'online'.

Nascido em 1945, na ilha da Boavista, a viver há mais de 30 anos no Mindelo, Germano Almeida é ainda autor de livros como "A Ilha Fantástica", "Eva", "O Testamento do Senhor Napomuceno", "Do Monte Cara vê-se o Mundo", "O Dia das Calças Roladas" e "Os Dois Irmãos", entre outros títulos.

Germano Almeida, um dos escritores mais lidos e traduzidos de Cabo Verde. É o segundo autor cabo-verdiano a ser distinguido com o Prémio Camões, depois do poeta Arménio Vieira (2009).

O Prémio Camões foi atribuído pela primeira vez em 1989 ao escritor Miguel Torga. Em 2017, foi distinguido o poeta Manuel Alegre.

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