Constituído há pouco mais de um ano, o Instituto do Mundo Lusófono organizou a sua primeira Gala da Lusofonia, num hotel em Paris, capital francesa, reunindo e premiando várias figuras da cultura não só portuguesa, mas dos vários países de língua portuguesa. ."Queremos premiar os falantes de língua portuguesa e quem promove a cultura lusófona por todo o mundo. Este ano, acabámos por dar prioridade ao Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, pois é difícil premiar toda a gente", disse Isabelle Oliveira, presidente do Instituto do Mundo Lusófono em declarações à agência Lusa..Os principais homenageados, com o prémio Percurso de Exceção, foram o maestro Álvaro Cassuto, o escritor Mia Couto, o arquiteto Álvaro Siza Vieira e o ator Lima Duarte. .No entanto, apenas o maestro português esteve presente no encontro. Lima Duarte enviou um vídeo de agradecimento a partir de Minas Gerais, no Brasil, destacando a importância da iniciativa.."É uma iniciativa importantíssima, na medida em que tudo o que seja útil para difundir o nome de Portugal e a cultura portuguesa em qualquer parte do mundo é importante. Somos um país pequeno e temos de fazer um esforço sobre-humano para estarmos à altura dos outros", indicou o maestro português, confessando que na sua carreira acabou por nunca se servir muito da língua de Camões já que a música é "uma língua universal"..Também José Rodrigues dos Santos, jornalista e escritor, foi galardoado esta noite, mas com o prémio da literatura. ."O que aconteceu de importante na minha carreira de romancista foi ser capaz de fazer livros que não ficam reduzidos a um nicho, mas que atingem um grande público. (...) Uma das coisas que mais me enche de satisfação é estar num país estrangeiro e encontrar os meus livros não no que eu designo de secção étnica, ou seja, livros dos autores de diferentes regiões do mundo, mas na literatura geral e isso foi conseguido em França e este prémio reflete esse reconhecimento", considerou..José Rodrigues dos Santos tem já seis livros publicados em França e vai publicar nos próximos meses "O Homem de Constantinopla" e "Um Milionário em Lisboa", o romance em duas partes sobre a vida de Calouste Gulbenkian. O seu livro "A Fórmula de Deus" já vendeu cerca de 500 mil exemplares em França..Outros laureados nesta noite incluíram a jornalista Judite de Sousa, a designer Fátima Lopes, o fotógrafo Sebastião Salgado, o empresário Jacyr Costa Filho e ainda o ator Carlo Porto..O Instituto do Mundo Lusófono está agora a dar os primeiros passos no associativismo e a prioridade é ter uma sede física e mostrar a importância da representação política das comunidades de língua portuguesa em França. ."O objetivo, à semelhança de outros institutos que já existem aqui, é sensibilizar os representantes políticos para perceberem que a lusofonia tem potencial. (...) É tempo de unirmos os nove países da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] aqui em Paris", indicou Isabelle Oliveira..Já Philippe Dallier, vice-presidente do Senado francês e que entregou nesta gala o prémio a Judite de Sousa, prefere não pensar a lusofonia como algo "comunitarista", mas sim em como a língua portuguesa pode unir esforços com a língua francesa para promover a diversidade. ."Não acho que esta comunidade deva ser política. Para a República francesa não faz sentido haver comunitarismo, somos todos cidadãos franceses. (...) Agora, a ligação entre o português e o francês, como línguas, existe e podemos continuar a reforçá-la num mundo que tem tendência a uniformizar-se perante o inglês que se tornou uma língua omnipresente e esmaga tudo o resto. Há a oportunidade de tanto os lusófonos como os francófonos mostrarem que a diversidade é também um valor importante", disse o senador francês..O próximo projeto do Instituto do Mundo Lusófono é a criação de uma escola na Guiné-Bissau e Diogo Lacerda Machado, presidente do Conselho de Administração do BAO -- Banco da África Ocidental, está à frente da iniciativa, liderando a angariação de fundos. ."Foi um desafio do Instituto do Mundo Lusófono e a ideia foi aproveitar a reunião destas pessoas notáveis e lançar o desafio de se procurar juntar esforços para construir uma escola na Guiné-Bissau, onde com pouco faz-se muito. Sobretudo se se apostar nas crianças, podem-se mudar muitas vidas", indicou Diogo Lacerda Machado, que é também advogado e conselheiro do primeiro-ministro português..Apesar de já ter um projeto, desenhado pela arquiteta brasileira Teresa Simões, não há ainda uma meta estabelecida para a verba necessária para concretizar este projeto naquele país africano.