Fraunhofer e Fundação para a Ciência e Tecnologia renovam acordo para I&D em Portugal

A Fraunhofer e a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) assinam durante o Conselho de Ministros de quinta-feira um memorando de entendimento para expansão da presença e reforço do programa de investigação da empresa alemã em Portugal.

Em comunicado, a Fraunhofer adianta que o acordo a assinar "não só renovará o programa de investigação aplicada em Portugal, como irá servir de base à criação de novos polos dedicados à investigação na área da agricultura de precisão nas universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro e de Évora".

Em 2007, a sociedade alemã Fraunhofer-Gesellschaft e a FCT tinham já assinado um primeiro acordo que possibilitou a criação da Fraunhofer Portugal e a constituição do primeiro centro de I&D (Investigação & Desenvolvimento) Fraunhofer em Portugal: o Fraunhofer Portugal AICOS (Fraunhofer Portugal Research Center for Assistive Information and Communication Solutions), que se destacou como "o primeiro centro Fraunhofer na Europa, fora da Alemanha".

O acordo a assinar na quinta-feira visa a expansão da presença daquela que reclama ser a "maior organização de investigação aplicada na Europa em Portugal", com "utilidade direta para empresas privadas e públicas e para a sociedade como um todo".

"Ao longo destes dez anos o Fraunhofer Portugal AICOS tem vindo a afirmar-se como um centro de I&D de referência no panorama nacional, tendo desenvolvido e criado soluções de base tecnológica inovadoras na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) com impacto significativo nas populações mais idosas e de zonas rurais e em desenvolvimento", destaca a empresa.

A mais recente aposta da instituição, adianta, passa agora por "explorar a sinergia entre a agricultura e a tecnologia".

"O setor agroindustrial tem vindo a abrir portas a novas tecnologias que permitem o aumento da produtividade, uma utilização mais eficiente dos recursos e maior competitividade. Para dar resposta a este novo paradigma e garantir que Portugal permanece na vanguarda da revolução tecnológica do setor que está a acontecer a nível europeu e global, a Fraunhofer Portugal vai impulsionar uma parceria estratégica que promete servir de estímulo à transformação do setor agroindustrial em Portugal", sustenta.

Criada em 2008 no Porto pela Fraunhofer-Gesellschaft e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, a Fraunhofer Portugal é uma associação sem fins lucrativos reconhecida pelo Estado Português como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública cuja missão é "promover a investigação aplicada com o intuito de fomentar o desenvolvimento económico e dar resposta a um conjunto de necessidades da população".

Constituído no mesmo ano, o Fraunhofer Portugal AICOS é o primeiro centro de investigação da Fraunhofer em Portugal e resulta de uma parceria estratégica entre a Fraunhofer-Gesellschaft e a Universidade do Porto.

O Fraunhofer Portugal AICOS atua nas áreas do "Ambient Assisted Living" (AAL) e das Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento (ICT4D), sendo a investigação ali desenvolvida direcionada prioritariamente para os idosos e as populações de países em desenvolvimento, com vista à criação de "soluções tecnológicas inovadoras e intuitivas e facilitar o acesso às TIC".

"Interação Pessoa-Computador", "Processamento de Informação" e "Computação Autónoma" são as três principais áreas onde o Fraunhofer Portugal AICOS tem competências científicas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

Orçamento melhoral: não faz bem, mas também não faz mal

A menos de um ano das eleições, a principal prioridade política do Governo na elaboração do Orçamento do Estado do próximo ano parece ter sido não cometer erros. Esperar pelos da oposição. E, sobretudo, não irritar ninguém. As boas notícias foram quase todas libertadas nas semanas que antecederam a apresentação do documento. As más - que também as há - ou dizem pouco à esmagadora maioria da população, ou são direcionadas a nichos da sociedade que não decidem eleições.

Premium

Ricardo Paes Mamede

Tudo o que a troika não fez por nós

A crítica ao "programa de ajustamento" acordado com a troika em 2011 e implementado com convicção pelo governo português até 2014 já há muito deixou de ser monopólio das mentes mais heterodoxas. Em diferentes ocasiões, as próprias instituições em causa - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - assumiram de forma mais ou menos explícita alguns dos erros cometidos e as consequências que deles resultaram para a economia e a sociedade portuguesas. O relatório agora publicado pela Organização Internacional do Trabalho ("Trabalho Digno em Portugal 2008-2018: da Crise à Recuperação") veio questionar os mitos que ainda restam sobre a bondade do que se fez neste país num dos períodos mais negros da sua história democrática.

Premium

João Gobern

Simone e outros ciclones

O mais fácil é fazer coincidir com o avanço da idade o crescimento da necessidade - também um enorme prazer, em caso de dúvida - de conversar e, mais especificamente, do desejo de ouvir quem merece. De outra forma, tornar-se-ia estranho e incoerente estar às portas de uma década consecutiva em programas de rádio (dois, sempre com parceiros que acrescentam) que se interessam por escutar histórias e fazer eco de ideias e que fazem "gala" de dar espaço e tempo a quem se desafia para vir falar. Não valorizo demasiado a idade, porque mantenho intacta a certeza de que se aprende muito com os mais novos, e não apenas com aqueles que cronologicamente nos antecederam. Há, no entanto, uma diferença substancial, quando se escuta - e tenta estimular-se aqueles que, por vias distintas, passaram pelo "olho do furacão". Viveram mais (com o devido respeito, "vivenciaram" fica para os que têm pressa de estar na moda...), experimentaram mais, enfrentaram batalhas e circunstâncias que, de alguma forma, nos podem ser úteis muito além da teoria. Acredito piamente que há pessoas, sem distinção de sexo, raça, religião ou aptidões socioprofissionais, que nos valem como memória viva, num momento em que esta parece cada vez mais ausente do nosso quotidiano, demasiado temperado pelo imediato, pelo efémero, pelo trivial.

Premium

Henrique Burnay

Isabel Moreira ou Churchill

Numa das muitas histórias que lhe são atribuídas, sem serem necessariamente verdadeiras, em resposta a um jovem deputado que, apontando para a bancada dos Trabalhistas, perguntou se era ali que se sentavam os seus inimigos, Churchill teria dito que não: "Ali sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui (do mesmo lado)." Verdadeira ou não, a história tem uma piada e duas lições. Depois de ler o que publicou no Expresso na semana passada, é evidente que a deputada Isabel Moreira não se teria rido de uma, nem percebido as outras duas.