Festival Internacional de Música do Marvão com número recorde de intérpretes portugueses

A edição deste ano do Festival Internacional de Música do Marvão (FIMM), no Alto Alentejo, que se realiza de 20 a 29 de julho, tem uma "participação recorde de artistas portugueses", segundo fonte da organização.

Durante os dez dias do festival realizam-se 35 concertos, distribuídos por Marvão, Portalegre, Santo António das Areias, Galegos, Escusa, a Quinta dos Olhos d'Água e o complexo arqueológico romano de Ammaia e, pela primeira vez, na vila de Castelo de Vide, além do vizinho município espanhol de Valência de Alcântara, já habitual.

Em declarações à agência Lusa, o assessor artístico do FIMM, Bernardo Mariano, realçou, nesta 5.ª edição, a "participação recorde de artistas portugueses, quase todos distinguidos no Prémio Jovens Músicos RTP/Antena 2, e que se apresentam a solo, em música de câmara ou com orquestra".

A direção artística do FIMM é partilhada pela soprano Juliane Banse, que fará estreia, em abril, sob a direção de Jaap van Zweden, no Concertgebouw, em Amesterdão, do monodrama "The Tell-Tale Heart", do compositor holandês Willem Jeths, baseado num conto de Edgar Allan Poe, e pelo regente alemão Christoph Poppen, que criou o festival em 2014, atualmente maestro convidado principal da Orquestra de Ca^mara de Colo´nia.

"Uma ocasião muito especial no festival será uma dupla sessão na cisterna do Castelo de Marvão, com os quatro antigos elementos do lendário Hilliard Ensemble [1974-2014], que aceitaram voltar a reunir-se, excecionalmente, para esta participação no Festival de Marvão", no dia 28, ao final da noite.

No dia da abertura, no Castelo, atua, estreando-se em Portugal, a Orquestra Estatal de Atenas, dirigida por Christoph Poppen, sendo solistas o soprano Juliane Banse e a violinista Veronika Eberle, com um programa inteiramente preenchido por composições de Antonín Dvorák, designadamente o Concerto para violino, a "Canção da Lua", da ópera "Rusalka", interpretada em português, e a Sinfonia n.º 8.

Da programação deste ano, o musicólogo salientou a participação do maestro António Victorino d'Almeida, para acompanhar ao piano "a grande 'chansonnière' austríaca" Erika Pluhar, no dia 24 de junho, no concelho vizinho de Castelo de Vide, na Fundação N.S. da Esperança.

Além de Castelo de Vide, como tradicionalmente, o Festival alarga-se à zona raiana espanhola, com atuações previstas em Valência de Alcântara, onde, entre outras, atuam a orquestra grega, a Filarmonia das Beiras e o Coro Gulbenkian.

O Coro Gulbenkian apresenta, nesta edição, o Requiem, de Mozart, acompanhado pela Orquestra de Câmara de Colónia, sendo solistas Carolina Ullrich (soprano), Roxana Constantinescu (contralto), Martin Mitterrutzner (tenor), Andreas Mattersberger (baixo), sob a direção de Poppen. Em Marvão, o Requiem é interpretado, no dia 26, na igreja do Convento de N.S. da Estrela.

Outro destaque é a participação do Officium Ensemble em dois programas: um de polifonia antiga, sob a direção de Pedro Teixeira, no Convento de N.S. da Estrela, em que, entre outras peças, interpreta a Missa Pro Defunctis, a oito vozes, de Duarte Lobo, e outro, acompanhando Orquestra do Festival e solistas, numa missa de Joseph Haydn, no dia 29, neste mesmo espaço religioso.

Da programação prevista consta a atuação do Trio Pangea, no dia 21, na igreja de S. Tiago, em Marvão, com um programa que contempla o Trio com piano em si menor, de José Vianna da Motta, compositor que nasceu há 150 anos, o Trio com piano, de Alexandre Delgado, e o Trio n.º 1, de Robert Schumann.

A programação também inclui conferências, iniciativas para crianças, encontros gastronómicos, um deles com o 'chef' alemão Thorsten Gillert, no dia 24, em que participa o Novus String Quartet, e um espetáculo na cisterna do Castelo, pelo fadista Rodrigo Costa Félix, no dia 21, ao final da noite.

Outro aspeto salientado por Bernardo Mariano é a relação que o certame pretende fomentar com as escolas de música, como tem acontecido nas edições anteriores.

"Interagindo com as instituições de ensino musical oficial da região onde se implanta, o festival programou também um concerto por alunos e professores, estes, pela primeira vez, do Conservatório de Portalegre e, pela primeira vez, um recital por alunos da Escola Superior Artes Aplicadas de Castelo Branco, iniciando uma colaboração com esta instituição do ensino superior que se espera seja profícua", afirmou.

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