Ex-chefe rebelde chadiano, detido na República Centro-Africana, vai ser julgado

O ex-chefe rebelde chadiano Abdelkader Baba Laddé, que também esteve ativo na República Centro-Africana, vai ser julgado em breve no seu país, disse o ministro da Justiça do Chade, Djimet Arabi, à agência AFP.

Detido em dezembro de 2014 pela missão da Organização das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA, na sigla em inglês), e extraditado em janeiro de 2015 para o Chade, Baba Laddé vai ser transferido de uma prisão no centro do país para a capital, N'Djamena, para ser julgado e tratado.

Entrado em rebelião no Darfur, em 1998, Baba Laddé chegou à República Centro-Africana em 2008, onde dizia que queria "libertar os peul", grupo étnico nómada que se dedica à pastorícia.

Na altura, Baba Laddé era apoiado na República Centro-Africana por Ali Darassa, que agora chefia um dos principais grupos armados que atuam nas províncias centro-africanas, o União para a Paz na República Centro-Africana (UPC, na sigla em francês).

Regressado ao Chade em 2013 como conselheiro do primeiro-ministro, tornou a exilar-se, mas chegou a ser prefeito do Departamento do Grande Sido, no sul, em 2014, antes de ser demitido e refugiar-se na República Centro-Africana.

Detido pelos 'capacetes azuis', Baba Laddé é agora objeto de 10 acusações, entre as quais posse ilegal de armas, associação de malfeitores, incêndio voluntário e violação.

Portugal tem militares na República Centro-Africana, país que caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por vários grupos juntos na designada Séléka (que significa coligação na língua franca local), que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-balaka. A MINUSCA está no país desde 2014.

O Governo do Presidente Faustin Touadera, um antigo primeiro-ministro que venceu as presidenciais de 2016, controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias, que, na sua maioria, procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

O conflito na RCA, que tem o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

Portugal está presente no país desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA).

No início de julho, soube-se que o major-general do Exército Marco Serronha vai assumir o cargo de 2.º comandante da MINUSCA.

A que já é a 3.ª Força Nacional Destacada Conjunta, composta por 159 militares, dos quais 156 do Exército, sendo 126 paraquedistas, e três da Força Aérea, iniciou a missão em 05 de março de 2018 e tem a data prevista de finalização no início de setembro deste ano.

Estes militares compõem a Força de Reação Rápida da MINUSCA, têm a base principal na capital, junto ao aeroporto, e já estiveram envolvidos em quase duas dezenas de confrontos com os rebeldes.

Portugal também integra a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), que é comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

A EUTM-RCA, que está empenhada na reconstrução das forças armadas do país, tem 45 militares portugueses, entre os 170 de 11 nacionalidades que a compõem.

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