Eventuais eleições antecipadas em Timor-Leste vão dar menos indecisão - PM

Por António Sampaio, enviado da Agência Lusa.

O primeiro-ministro timorense disse hoje que eventuais eleições antecipadas em Timor-Leste, no caso da possível queda do Governo se a oposição chumbar pela segunda vez o programa do executivo, terão um resultado clarificador.

"Em última análise o povo poderá ter que ser chamado de novo a decidir. Mas não acho que haverá indecisão depois disso", disse Mari Alkatiri em entrevista à Lusa em Perth.

"O povo está consciente de que [nas eleições legislativas de 22 de julho] distribuiu a sua votação na busca de estabilidade e só criou instabilidade e tem por isso que concentrar mais os seus votos no partido que achar melhor para governar o país", considerou.

Afirmando que ainda é possível "encontrar uma solução dentro do contexto do VII Governo", Alkatiri considera que todos os líderes políticos têm que pensar "claramente" no que estão a fazer no atual momento político.

"Toda esta brincadeira que se está a fazer é de muito mau gosto. Eu ainda sou otimista, por natureza, e acho que vamos ultrapassar a situação", considerou.

Mari Alkatiri falava à Lusa em Perth onde participa, entre hoje e domingo, na Asia Pacific Regional Conference cuja abertura oficial contará com uma intervenção sua, do seu homólogo australiano, Malcolm Turnbull, e do presidente alemão Frank-Walter Steinmeier.

Durante a visita Alkatiri tem previsto encontros bilaterais com o presidente alemão, com o primeiro-ministro e ministro das Finanças australiano, com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Singapura e com os presidentes da Woodside Petroleum e da Conoco Philips, entre outros.

Timor-Leste vive desde as eleições de 22 de julho um momento de intensa tensão política com a Fretilin a liderar um Governo minoritário - em coligação com o Partido Democrático - que controla apensa 30 dos 65 lugares no Parlamento.

A oposição maioritária - formada pelo Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), Partido Libertação Popular (PLP) e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) - anunciaram a criação de uma Aliança de Maioria Parlamentar (AMP) como alternativa ao Governo.

No mês passado apresentaram uma moção de rejeição ao programa do Governo que anunciou entretanto que está a preparar um novo documento que quer apresentar ao parlamento em conjunto com o Orçamento Retificativo "até final do ano".

Se esse programa for novamente alvo de chumbo o Governo cai e o Presidente da República tem que escolher entre procurar uma nova solução governativa no atual cenário parlamentar ou avançar para eleições antecipadas.

Alkatiri insiste que "constitucional e legalmente, a AMP não existe" já que, sustenta "qualquer coligação político-partidária envolve lideranças político-partidárias" e, no caso do CNRT, a participação nessa coligação implica "voltar à sua Conferência Nacional para fazer uma decisão contrária da que fez" depois das eleições.

"Esta AMP Não existe. E por isso quando se dirigem ao Presidente da República assinam os 35 deputados. (...) Xanana Gusmão [presidente do CNRT] está fora do país e Taur Matan Ruak [presidente do PLP] mesmo estando em Timor-Leste nunca assinou nada, por isso não existe coligação", afirmou.

"E mesmo existindo, o Presidente da República não é obrigado a convidar o segundo partido mais votado [a formar Governo]", disse ainda.

Questionado sobre a posição de Xanana Gusmão no atual cenário - o líder histórico timorense está fora do país há várias semanas e tem feito declarações que não clarificam totalmente a sua postura - Alkatiri admite que a sua posição será "decisiva".

"As pessoas andam para aí a dizer que eu menti quando disse que Xanana Gusmão tinha garantido a viabilização do Governo da Fretilin se houvesse uma coligação que elevasse o número de cadeiras até pelo menos 30. E ele prometeu. E não foi só a mim. Disse isso no encontro a três com o Presidente da República e no último encontro entre os dois partidos", afirmou.

"De repente dizem que ele nega. Eu não acredito. Isso é invenção deles no parlamento. Porque é que até agora, ainda não puseram uma declaração em vídeo de Xanana a desmentir isso?", considerou, admitindo que não sabe "exatamente o que Xanana vai fazer daqui para a frente".

Exclusivos