Europeias: Candidata à liderança conservadora defende "agenda radical" para atrair classe trabalhadora

Londres, 20 mai 2019 (Lusa) - A deputada eurocética Esther McVey, uma das interessadas em suceder a Theresa May à frente do partido Conservador e do governo britânico, defendeu cortes à despesa para a cooperação internacional para investir em escolas e na polícia do país.

As medidas, que estima poderem libertar sete mil milhões de libras (oito mil milhões de euros) fazem parte de uma "agenda radical" de propostas a que chamou de "Blue Collar Conservatism" [Conservadorismo de Colarinho Azul], direcionado à classe trabalhadora.

Num evento hoje em Londres, McVey, que se demitiu de ministra do Trabalho no ano passado em divergência com a estratégia de May para o 'Brexit', defendeu a necessidade de voltar a atrair eleitores desiludidos com o governo.

"Não preciso de explicar a ninguém quais são as razões. Sabemos que uma maioria destes eleitores votou para sair da UE e nisto traímos a confiança deles. Para recuperar essa confiança, precisamos não só de concretizar a nossa promessa, mas de estarmos preparados para propor uma agenda radical conservadora para mostrar que estamos do lado deles", afirmou.

McVey é uma das várias figuras do partido Conservador a ter declarado publicamente a intenção de se candidatar à liderança do partido depois de May se demitir, o que se espera que aconteça em junho.

Hoje, argumentou que o próximo líder deve ser "alguém que acredite no 'Brexit'", mostrando-se disposta a uma saída da União Europeia (UE) sem acordo a 31 de outubro, e recusou afastar a possibilidade de um acordo com o Partido Brexit de Nigel Farage.

Tentou também procurar afastar potenciais rivais, como a atual ministra do Trabalho, Amber Rudd, ou o ministro do Desenvolvimento Internacional, Rory Stewart, ou o ministro da Saúde, Matt Hancock, vistos como mais moderados.

No grupo dos possíveis candidatos eurocéticos estão o antigo ministro do 'Brexit' Dominic Raab, a secretária de Estado das Finanças, Liz Truss, a ministra da Defesa, Penny Mordaunt, ou ministro do Interior, Sajid Javid.

Porém, uma sondagem publicada pelo The Times no sábado atribuiu favoritismo claro ao antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson, que na semana confirmou estar interessado no lugar.

A eleição para a liderança do partido ainda não começou oficialmente, mas Theresa May prometeu anunciar um calendário para a sua demissão após a próxima votação dos seus planos para o 'Brexit', no início de junho.

A escolha é feita, numa primeira fase, através de uma série de votações feitas pelo grupo parlamentar que eliminam progressivamente os candidatos a apenas dois, que depois serão sujeitos ao voto de todos os militantes do partido.

O novo líder do partido Conservador, que tem o maior número de deputados na Câmara dos Comuns e está atualmente no poder, será nomeado diretamente primeiro-ministro sem a necessidade de eleições legislativas.

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