Estudo defende redistribuição de culturas e novas práticas para procura crescente de alimentos

Lisboa, 16 mai 2019 (Lusa) -- Um estudo hoje divulgado defende que é necessário redistribuir culturas a nível regional, adotar diferentes práticas agrícolas e aumentar o comércio internacional para responder de forma sustentável à procura crescente de alimentos.

Plantar culturas menos intensivas em áreas mais secas, desenvolver a agricultura urbana e vertical e reduzir o consumo de carne na dieta humana são alguns dos caminhos apontados.

O trabalho, publicado na revista Nature Sustainability, avalia as necessidades globais de água e alimentos até 2050, tendo em conta a população mundial e os ecossistemas.

De acordo com os especialistas, os recursos de água doce estão sob "crescente pressão", já que cerca de 70% da água doce a nível global é utilizada para culturas agrícolas irrigadas, que asseguram 40% dos alimentos no mundo.

As Nações Unidas, por seu lado, preveem que a população mundial chegue a nove mil milhões até 2050, o que irá aumentar ainda mais essa pressão e as necessidades de água.

Os resultados da investigação indicam que para uma produção sustentável é necessário expandir a área de terra usada para agricultura em 100 milhões de hectares, aproximadamente 100 milhões de estádios de futebol, tendo em conta as necessidades de alimento.

Para esta realidade ser possível, tendo em conta os recursos hídricos limitados, é preciso reduzir as culturas intensivas em áreas secas e redistribuir a produção agrícola em regiões de água abundante, defende Amandine Pastor, primeira autora do estudo e colaboradora do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais -- cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Segundo a informação hoje divulgada, esta é uma das primeiras avaliações integradoras, que quantifica "de forma rigorosa" o efeito da proteção dos ecossistemas aquáticos nas captações de água, na produção global de alimentos e nos fluxos comerciais.

Os investigadores consideram que é necessário um fluxo adicional de comércio entre 10% a 20% a partir das regiões abundantes em água para as zonas mais secas, sendo que os principais fluxos vão da América Latina para o Médio Oriente e China.

Para o estudo, foram usados cenários de mudanças climáticas e alterações socioeconómicas desenvolvidos pela comunidade científica para o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas.

"É importante perceber que os recursos naturais são limitados. Os resultados do nosso estudo indicam que será possível manter a segurança alimentar e os requisitos de conservação dos ecossistemas de água doce até 2050, apesar dos crescentes impactos das mudanças climáticas", defende a investigadora no texto de apresentação do trabalho.

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