Escavações arqueológicas em Idanha-a-Velha procuram descobrir potencial científico do lugar

Investigadores das Universidades de Coimbra e da Nova de Lisboa estão, desde esta semana, a fazer escavações arqueológicas em Idanha-a-Velha, no âmbito de um protocolo celebrado com o município, para perceber o "potencial científico e patrimonial" do lugar.

"As escavações iniciaram-se há três dias e vão decorrer até ao final de julho. Esta é uma fase muito inicial, com uma equipa constituída por 12 pessoas. É uma primeira fase de sondagens de diagnóstico para tentar perceber o que é que aquela área poderá ter em termos do potencial científico e patrimonial", disse hoje Pedro Carvalho, da Universidade de Coimbra, à agência Lusa.

O projeto IGAEDIS - Da Civitas Igaeditanorum à Egitânia, que vai decorrer até dezembro de 2019, em Idanha-a-Velha, no distrito de Castelo Branco, visa caracterizar e compreender a cidade antiga de Idanha-a-Velha e os seus territórios desde o século I a.C. ao século XII, trabalho que já não era feito no local desde a década de 1960.

Pedro Carvalho, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e Catarina Tente, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, são os coordenadores deste projeto, cujo protocolo foi assinado em 08 de junho, na Sé Catedral de Idanha-a-Velha.

A cantora brasileira e embaixadora da Universidade de Coimbra na área da língua e da cultura, Adriana Calcanhotto, é a "madrinha" do projeto IGAEDIS.

À Lusa, o coordenador do projeto explicou que, apesar de se conhecer muita da história de Idanha-a-Velha e do muito que foi feito por outros investigadores, a área física onde estão agora a trabalhar, "nunca foi intervencionada".

As sondagens de diagnóstico estão a decorrer num olival, propriedade do município local.

"Temos de perceber o que poderá ter [do ponto de vista patrimonial e científico], fazendo pequenas sondagens, por forma a que no próximo ano possamos partir para uma escavação maior e já com conhecimento de causa e com dados que nos permitam saber o que fazer", disse.

Todo o material encontrado nesta primeira fase dos trabalhos será estudado em Idanha-a-Nova, uma vez que o município disponibilizou instalações para isso e uma equipa técnica que, em articulação com os cientistas das duas universidades, irá desenvolver esse trabalho.

"Esta é uma fase de avaliação prévia para podermos planear o trabalho a desenvolver nos próximos anos", frisou, sublinhando o apoio que têm recebido da Câmara de Idanha-a-Nova.

Realçou ainda o potencial que Idanha-a-Velha tem, com uma história de 1.200 anos, desde o século I ao Século XII.

"Na região da Beira Interior, entre o rio Tejo e o Douro, foi o sítio romano mais importante neste território", frisou.

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