ENTREVISTA: Seca: Governo investe 25 ME em projeto de regadio no baixo Mondego

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, vai hoje relançar o projeto de regadio no baixo Mondego, num investimento de 25 milhões de euros, que deverá estar concluído no final de 2021.

"Vou relançar o projeto no baixo Mondego [...] no âmbito do programa nacional do regadio. Trata-se de um novo bloco de rega, que irá contemplar cerca de 700 hectares e que está associado a uma vasta operação de emparcelamento agrícola e que orçará em cerca de 25 milhões de euros, com o objetivo de ter o projeto concluído até ao final de 2021", referiu, em entrevista à Lusa.

O ministro da Agricultura sublinhou que o programa dos novos regadios vai contar, a curto prazo, com um reforço financeiro, de modo a permitir, até 2023, dispor de mais de 93 mil hectares dedicados a estas culturas.

Capoulas Santos avançou ainda que o Governo irá alargar a linha de crédito, com um montante financiável de 140 euros por bovino e 40 euros por ovino, para as explorações agrícolas de maior dimensão, caso existam agricultores que tenham conseguido recorrer ao apoio.

"Avançou-se com uma linha de crédito de cinco milhões e, se ela for esgotada, o Governo não hesitará em alargar o seu montante, até que nenhum agricultor deixe de ter instrumentos para recorrer a esse instrumento de apoio", disse.

Já no que se refere à alimentação animal, que escasseia devido à seca que o país atravessa, o governante indicou que "o Ministério da Agricultura adquiriu cerca de cinco mil toneladas de alimentos, dos quais, até este momento, [aproximadamente] metade já foi distribuída".

Questionado sobre a possibilidade dos apoios terem surgido, numa altura em que as consequências provocadas pela seca já se avolumavam, Capoulas Santos vincou que as medidas tiveram início entre setembro e outubro de 2016, aplicadas, na altura, em nove municípios do distrito de Beja.

"Foi aberto, imediatamente, um concurso de um milhão de euros para apoiar os agricultores a adquirirem equipamentos para transporte e captação de água. A situação foi-se agravando ao longo do ano e fomos obrigados a alargar esta medida a todo o distrito de Beja e depois a Castelo Branco, Guarda, Bragança, Faro e a alguns municípios de Santarém".

De acordo com o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, com a passagem de seca fraca para severa ou extrema em algumas regiões, houve ainda a necessidade de recorrer a apoios europeus.

"Conseguimos ainda pedir à União Europeia antecipações de pagamentos e isso permitiu-nos avançar com cerca de 70% dos pagamentos do primeiro pilar da PAC (Política Agrícola Comum) e 75% dos pagamentos do segundo pilar que, no seu conjunto, permitiram antecipar pagamentos na ordem dos 500 milhões de euros, no mês de outubro", concluiu.

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