Emissões de gases de efeito estufa no Brasil caíram 2,3% em 2017 - relatório

As emissões brasileiras de gases de efeito estufa caíram 2,3% em 2017 em comparação com o ano anterior, segundo um relatório da organização não governamental Observatório do Clima divulgado hoje.

No ano passado, o Brasil emitiu 2,071 mil milhões de toneladas brutas de gás carbónico contra 2,119 mil milhões de toneladas emitidas em 2016.

O levantamento destacou que a queda de emissões decorre da redução da taxa de desmatamento na Amazónia, que recuou 12% no ano passado.

Assim, as emissões brutas de gases de efeito estufa por perda de floresta na Amazónia caíram de 601 milhões de toneladas em 2016 para 529 milhões em 2017.

"Isso fez as emissões por mudança de uso da terra, setor que responde por quase metade do total nacional de gases-estufa, recuarem 5,5% em 2017", lê-se no relatório.

O Observatório do Clima avaliou que o recuo de emissões de gases do efeito estufa no país poderia ter sido maior não fosse o aumento de quase 11% no desmatamento do cerrado - segundo maior bioma do Brasil que predomina na região central do país e tem sido alvo de atividade agropecuária intensa - no mesmo período.

O coordenador geral do Observatório do Clima, André Ferretti, considerou que "o combate ao desmatamento é uma questão urgente que precisa de políticas públicas efetivas e uma população consciente".

"A destruição de nossos ecossistemas está fortemente atrelada à agropecuária, que é justamente o setor a sofrer primeiro os eventos climáticos extemos provocados pelo aquecimento global", acrescentou.

O desmatamento no cerrado elevou as emissões de gases com efeito de estufa de 144 milhões para 159 milhões de toneladas.

"Apesar da redução do desmatamento na Amazónia, houve aumento no cerrado e depois de dois anos de queda as emissões dos outros setores voltaram a crescer. As emissões brutas per capita do Brasil ainda são maiores que a média mundial", acrescentou Tasso Azevedo, coordenador técnico da pesquisa do Observatório do Clima.

A indústria e o setor de energia também impediram uma queda maior das emissões de gases de efeito de estufa.

O relatório indicou que a elevação mais expressiva de emissões em processos industriais registou um aumento de 4% das emissões de gases de efeito estufa, passando de 95,6 milhões para 99 milhões.

O setor da energia viu as suas emissões subirem cerca de 2%, passando de 424 milhões para 431 milhões.

Já as emissões do setor agropecuário oscilaram 0,9% para baixo em 2017. As suas emissões totais caíram de 500 milhões para 495 milhões.

"A atividade agropecuária é a principal responsável pelas emissões brasileiras de gases de efeito de estufa. Somando-se as emissões indiretas, por desmatamento, e as diretas, principalmente pelo metano dos bovinos, o agronegócio responde por 71% das emissões totais do país, quase 1,5 mil milhões de toneladas de gás carbónico", diz o relatório.

"Se fosse um país, o agronegócio brasileiro seria o oitavo maior emissor do mundo, à frente do Japão. Em 2017, as emissões diretas do setor caíram principalmente por conta do rebanho bovino, marcado pelo acentuado abate de animais devido aos baixos preços", concluiu o levantamento do Observatório do Clima.

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