Embaixador de Moçambique deixa Luanda com desejo de mais trocas comerciais com Angola

As trocas comerciais entre Angola e Moçambique estão aquém do desejado, por razões conjunturais macroeconómicas e pela crise nos dois países, indicou o embaixador moçambicano em Luanda, Santos Álvaro.

Santos Álvaro, que era também embaixador de Moçambique em São Tomé e Príncipe, apresentou na quarta-feira cumprimentos de despedida ao presidente da Assembleia Nacional angolana, Fernando da Piedade Dias dos Santos, no final de uma missão diplomática de três anos.

Sem adiantar números, disse que, em função das relações históricas entre Angola e Moçambique, as trocas comerciais podem ser melhoradas.

Acredita que, nos próximos anos, possa haver uma melhoria gradual da situação, favorecendo os dois povos, cujas relações se pautam pela promoção da cultura, do intercâmbio desportivo, do negócio, entre outros.

Por outro lado, falou do programa de formação de quadros entre os dois países, que abrange a troca de experiência nos vários setores.

O diplomata informou que cerca de 14 cidadãos moçambicanos estão a ser formados no Instituto Angolano de Petróleos, tendo em conta a experiência de Angola.

Sobre a missão em Angola, precisou que teve "muitas portas abertas e muita colaboração" a todos os níveis, com destaque do executivo, legislativo e judicial.

"Durante este meu mandato de quase três anos em Angola, há alguns marcos a assinalar. A nível dos parlamentos existe um programa já em execução, muito intenso, de intercâmbio entre deputados de várias comissões, com vista a elaboração de leis. Há uma forte aposta nas visitas para troca de experiências", avançou o diplomata.

Santos Álvaro destacou como pontos altos da sua estada no país a entrada em vigor do acordo de isenção de vistos entre Angola e Moçambique, a atribuição do nome de Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique, a uma avenida de Luanda, e o programa de intercâmbio entre os parlamentos dos dois países, com vista a elaboração de leis.

Em 2017, foi inaugurada em Angola, no município de Talatona, Luanda uma avenida com o nome de Samora Machel, uma das mais movimentadas, por fazer a ligação entre duas regiões densamente povoadas da província que abriga a capital.

Para Santos Álvaro, o ato revestiu-se de grande simbolismo político e representa um marco importante no reforço dos laços históricos de cooperação, amizade e irmandade existente entre as duas nações irmãs.

O programa de cooperação parlamentar entre Angola e Moçambique veio também dar resposta à necessidade que os dois órgãos legislativos têm em pôr em prática o Protocolo de Cooperação, assinado em novembro de 2003, que prevê um maior intercâmbio nos diversos domínios.

Santos Álvaro fez saber, no final da audiência concedida pelo presidente do parlamento angolano, que parte para Maputo com o sentimento de missão cumprida.

Maria Helena Taipo é o nome indicado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, para substituir Santos Álvaro do cargo de embaixador em Angola.

Desde 2015, até ao momento da sua nomeação, Maria Helena Taipo exercia funções de Governadora da Província de Sofala (Moçambique). Anteriormente, ocupou os cargos de ministra do Trabalho e de Diretora Provincial do Trabalho em Nampula.

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