No projeto Cordel, os músicos fazem "acima de tudo música portuguesa". "Essa é a nossa sinergia principal, mergulhar na canção portuguesa e nos ritmos tradicionais portugueses", afirmou João Pires em declarações à Lusa, referindo que "as fusões lusófonas" presentes em algumas canções estão ligadas ao facto de pertencerem aos projetos Fogo Fogo e Coladera..Foi há três anos, via internet, mas por sugestão de um amigo comum que os dois se conheceram. João Pires recordou que foi ele a chegar-se à frente, enviando a Edu Mundo "um tema para ele escrever".."Deu tão certo que começou a ser recorrente esse exercício", afirmou o músico. Essa canção foi para a fadista Ana Moura, "depois vieram outras", como "Ter peito e espaço", que Sara Tavares incluiu no álbum "Fitxadu". .Embora considerem que "tem sido bastante gratificante compor para outros intérpretes", no ano passado decidiram criar para um projeto dos dois..O "gatilho" surgiu quando Edu Mundo e João Pires foram convidados para participar no festival e mercado profissional Visa For Music, em Marrocos.."Tínhamos de preparar um concerto de 40 minutos e penso que essa semana de imersão total num país diferente, sem a agenda louca das nossas vidas, foi o gatilho. Percebemos nos arranjos de guitarra e nas ideias musicais que tínhamos algo ali concreto, uma identidade, uma sonoridade, e isso é o mais importante num grupo musical", referiu João Pires..Já enquanto Cordel, "a maioria das canções foi feita à distância, idealizadas à guitarra e terminadas à caneta". "E tudo partilhado, a não ser que a canção já esteja concluída por um de nós", sublinhou Edu Mundo..No entanto, o álbum "foi feito em conjunto". "Os arranjos, as participações especiais, os músicos convidados foram pensados a dois. Gravámos uma primeira parte numa casa de um amigo no Porto e o restante nos estúdios da Valentim de carvalho em Lisboa", recordou João Pires. .Todos os dez temas que integram o disco "falam de ligações, ou 'cordéis' entre pessoas, ou de uma pessoa com uma parte do seu interior". "O Cordel, símbolo de ligação entre dois pontos, é o tema primordial do disco", disse Edu Mundo, que no bilhete de identidade é Márcio Silva..O músico lembra o tema "Se vieres amanhã", integrado na banda sonora da telenovela "Alma e Coração", da SIC, "que aborda a expectativa de alguém que espera a chegada de outro para a realização de planos a dois". ."Todas as músicas têm um cordel, agora cabe ao ouvinte descobrir onde e qual é", desafiou..O álbum que é hoje editado será o primeiro de uma trilogia, unida por, "imagine-se, um manancial de cordoame, acreditando que nessa rede estão todos os que fizeram, fazem e farão parte desta caminhada"..João Pires, que vai atuar em julho, no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, com o projeto Coladera, que partilha com o brasileiro Vítor Santana, editou o álbum de estreia a solo, "Caminhar", em 2012..Há cinco anos iniciou o projeto Coladera, que "celebra em forma de música a ponte cultural entre o Brasil, Portugal e Cabo Verde, num diálogo assente em violões, percussões e vozes", que já foi apresentado ao vivo em Portugal e no estrangeiro, em países como Estados Unidos, Holanda, Espanha, Hungria e Dinamarca..Ao longo da carreira, João Pires já colaborou com músicos como Sara Tavares, Aline Frazão, Pedro Moutinho e Dino D'Santiago..Márcio Silva, baterista dos Souls of Fire e Fogo Fogo, começou a criar o projeto Edu Mundo em 2011, que apresentou pela primeira ao vivo três anos depois.